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Revista Brazilian Times # 86
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Mulher com paralisia cerebral entra em desespero após marido ser detido pelo ICE na Califórnia

O caso de Erika e Ademir se soma a outros episódios recentes que levantam questionamentos sobre os efeitos das políticas de imigração em famílias mistas e em lares onde a presença de um dos cônjuges é essencial para a sobrevivência e o bem-estar dos demais. Enquanto aguarda uma definição judicial, a família vive sob a incerteza de uma possível separação definitiva.


Uma família do sul da Califórnia vive dias de angústia após a detenção de um imigrante pelo Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês), em um caso que reacendeu o debate sobre o impacto das ações migratórias em lares com pessoas em situação de vulnerabilidade. A esposa do homem, mãe de dois filhos pequenos, tem paralisia cerebral e depende diretamente do marido para atividades básicas do dia a dia.

O trabalhador Ademir Ramas, de 40 anos, foi detido no dia 10 de janeiro enquanto realizava serviços de jardinagem em Pico Rivera, na região de Los Angeles. Imagens do momento da abordagem, registradas por moradores, mostram agentes federais levando Ramas sob custódia, sem que ele apresentasse resistência. Desde então, a família enfrenta uma rotina marcada pelo medo, incerteza e dificuldades práticas.

A esposa, Erika Gallardo, relata que o marido era o principal responsável pelo sustento da casa e também por ajudá-la em tarefas essenciais, como deslocamento, compras, cuidados com os filhos e acompanhamento médico. “Sem ele, tudo ficou muito mais difícil. Não sei como vou conseguir seguir”, afirmou, emocionada, a veículos locais.

Segundo familiares, Ramas vive nos Estados Unidos há cerca de 20 anos, após ter entrado no país com um visto de trabalho que acabou vencendo. Eles afirmam que ele não possui antecedentes criminais e sempre manteve uma vida dedicada ao trabalho e à família. A detenção, segundo a defesa, ocorreu no contexto de operações de fiscalização migratória realizadas pelo ICE na região.

O casal tem duas crianças pequenas, e a ausência do pai agravou o impacto emocional e financeiro sobre o núcleo familiar. Diante da situação, amigos e membros da comunidade organizaram uma campanha de arrecadação para ajudar com despesas básicas e custos legais, enquanto a família busca alternativas jurídicas para evitar a deportação.

A defesa informou que uma audiência de imigração está marcada para o fim de janeiro, quando o caso será analisado por um juiz. Ativistas e organizações de direitos civis acompanham a situação e criticam o que consideram falta de sensibilidade das autoridades ao lidar com famílias que incluem pessoas com deficiência.

O caso de Erika e Ademir se soma a outros episódios recentes que levantam questionamentos sobre os efeitos das políticas de imigração em famílias mistas e em lares onde a presença de um dos cônjuges é essencial para a sobrevivência e o bem-estar dos demais. Enquanto aguarda uma definição judicial, a família vive sob a incerteza de uma possível separação definitiva.

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