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Revista Brazilian Times # 86
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Nova York lidera prisões do ICE de imigrantes sem antecedentes, mostra análise de dados federais

Nova York tornou-se o epicentro das operações do Immigration and Customs Enforcement (ICE) contra imigrantes sem histórico criminal, segundo uma análise de dados recém-divulgados pelo governo federal e compilados pela organização Documented.

Nova York tornou-se o epicentro das operações do Immigration and Customs Enforcement (ICE) contra imigrantes sem histórico criminal, segundo uma análise de dados recém-divulgados pelo governo federal e compilados pela organização Documented.

Desde que o atual governo assumiu, em 20 de janeiro, o estado registrou 7.258 prisões feitas pelo ICE. O dado que mais chama atenção: 60% dessas detenções envolveram imigrantes que não tinham condenações anteriores nem acusações criminais pendentes. O número coloca Nova York no topo da lista nacional em prisões de pessoas sem qualquer registro criminal.

A tendência representa uma mudança significativa na prática da agência, que oficialmente afirma priorizar a detenção de indivíduos considerados perigosos ou com histórico criminal relevante. No entanto, os números indicam que a maior parte das ações tem como alvo pessoas cuja única infração é migratória.

Advogados e organizações de direitos dos imigrantes afirmam que a discrepância entre discurso e prática aprofunda o clima de insegurança em comunidades imigrantes, sobretudo em Nova York, onde grande parte dos detidos vive há anos, trabalha legalmente com ITIN ou está em processos de regularização.

Outro fator que amplifica a situação no estado é a ausência de centros de detenção privados — proibidos por lei estadual. Com isso, o ICE passou a usar cadeias de condado, elevando rapidamente o número de imigrantes mantidos sob custódia em instalações originalmente destinadas ao sistema penal comum.

Especialistas afirmam que a política federal de prisões massivas responde a metas elevadas de deportação e à expansão de recursos da agência, enquanto defensores públicos relatam um aumento expressivo de famílias separadas e de trabalhadores detidos durante atividades cotidianas, como deslocamentos ao trabalho ou audiências civis.

A tendência deve continuar pressionando governos locais e organizações de apoio, que intensificam esforços para orientar imigrantes sobre direitos básicos — como o de não abrir a porta para agentes sem mandado judicial — e para ampliar o acesso a representação legal gratuita.

Enquanto a administração federal argumenta que a política é necessária para “restabelecer a ordem migratória”, críticos afirmam que os dados revelam um sistema cada vez mais voltado à detenção de indivíduos sem risco à segurança pública, transformando Nova York no símbolo de uma nova fase das ações do ICE no país.

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