O relatório reforça o debate nacional sobre os limites da fiscalização migratória e os impactos sociais de políticas mais rígidas, especialmente sobre comunidades vulneráveis.
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Prisões do ICE disparam em Nova York e acendem alerta sobre possível perfilamento de imigrantes asiáticos
Um novo relatório de pesquisa aponta um aumento expressivo nas detenções realizadas pelo Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) no estado de Nova York, especialmente entre imigrantes asiáticos. De acordo com o levantamento divulgado pela organização Stop AAPI Hate e reportado pelo veículo Documented, as prisões desse grupo cresceram sete vezes entre janeiro de 2025 e março de 2026.
No período analisado — correspondente aos primeiros 14 meses do atual endurecimento da política migratória — foram registradas 1.425 detenções de pessoas com cidadania asiática, em comparação com 205 casos em intervalo semelhante durante a administração anterior. Os dados refletem uma intensificação significativa das ações de fiscalização migratória no estado.
A cidade de Nova York concentra a maior parte das operações. Segundo a emissora Spectrum News NY1, cerca de 9.600 pessoas foram presas pelo ICE no estado, considerando todos os grupos étnicos. No entanto, apenas 20% dos detidos tinham condenações criminais, enquanto 63% foram presos exclusivamente por violações migratórias, o que levanta questionamentos sobre o foco das operações.
Entre os imigrantes asiáticos detidos em Nova York, cidadãos chineses representam 37% dos casos, seguidos por pessoas originárias da Índia, Bangladesh, Uzbequistão e Afeganistão. Em nível nacional, os países mais frequentes entre os detidos incluem Índia, China, Vietnã, Uzbequistão e Laos.
O aumento das detenções não se restringe à capital. Regiões do interior e do oeste do estado também registraram crescimento significativo, com uma alta de quase cinco vezes no primeiro ano após a mudança de política migratória.
Para Manjusha Kulkarni, cofundadora da Stop AAPI Hate, o cenário reflete uma política que, segundo ela, tem impacto desproporcional sobre comunidades de imigrantes de cor. “Quando o governo intensifica essas medidas e incentiva práticas de fiscalização mais agressivas, estados com grandes populações asiáticas são fortemente afetados”, afirmou.
A preocupação também foi ecoada pela deputada federal Grace Meng, que preside o Caucus Asiático-Pacífico do Congresso. Ela afirmou que o relatório confirma relatos recebidos por seu gabinete de que imigrantes asiáticos estariam sendo alvo de ações para cumprir “metas arbitrárias de deportação”. A parlamentar também criticou supostas abordagens baseadas em aparência ou sotaque.
Outro ponto destacado pelo relatório envolve denúncias de uso indevido do sistema migratório em conflitos pessoais. Segundo Wan Yanhai, presidente da organização Information for Chinese Immigrants, há relatos de indivíduos que acionam autoridades migratórias contra imigrantes em disputas privadas, como conflitos entre proprietários e inquilinos ou relacionamentos pessoais. “Muitos não imaginavam que seu status migratório pudesse ser explorado dessa forma, o que pode causar traumas profundos”, afirmou.
Diante do cenário, o caucus asiático-americano no Congresso anunciou medidas de apoio às comunidades afetadas, incluindo a tradução de materiais sobre direitos dos imigrantes para nove idiomas asiáticos, além de pressionar por maior transparência e responsabilização nas ações do ICE.
O relatório reforça o debate nacional sobre os limites da fiscalização migratória e os impactos sociais de políticas mais rígidas, especialmente sobre comunidades vulneráveis.
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