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Revista Brazilian Times # 86
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Rede de imigração ilegal cobrava até 20 mil euros por “pacotes de legalização” para imigrantes de Bangladesh e Nepal

Segundo informações recolhidas pela investigação, os criminosos vendiam “pacotes de legalização” que incluíam contratos de trabalho, número de identificação fiscal (NIF), número de Segurança Social, registro no Serviço Nacional de Saúde, Cartão Europeu de Seguro de Doença, além de tradução de documentos, certificação de antecedentes, abertura de contas bancárias e atestados de residência.

Da redação

A Polícia Judiciária (PJ) de Portugal desmantelou uma rede de imigração ilegal que operava há pelo menos três anos e cobrava entre 15 e 20 mil euros por imigrante, especialmente de Bangladesh e Nepal — os mais penalizados pelos altos valores devido às barreiras linguísticas, distância e dificuldades para obtenção de vistos turísticos.

Segundo informações recolhidas pela investigação, os criminosos vendiam “pacotes de legalização” que incluíam contratos de trabalho, número de identificação fiscal (NIF), número de Segurança Social, registro no Serviço Nacional de Saúde, Cartão Europeu de Seguro de Doença, além de tradução de documentos, certificação de antecedentes, abertura de contas bancárias e atestados de residência.

A rede facilitou a regularização de milhares de pessoas, incluindo 18 mil imigrantes legalizados de forma fraudulenta apenas por uma célula do grupo localizada em Coimbra. Os valores cobrados aos imigrantes brasileiros e africanos eram cerca de metade do que pagavam asiáticos, segundo fonte oficial da PJ citada pelo jornal Expresso.

Grande parte dos imigrantes pagava a dívida posteriormente, com salários obtidos após a chegada a Portugal.

No âmbito da Operação Gambérria, 16 pessoas já foram presas e outras 26 constituídas arguidas. Mais de um milhão de euros em dinheiro foi apreendido, além do congelamento de diversas contas bancárias.

Esta semana, dois funcionários de um centro de saúde no município de Ovar foram igualmente detidos e suspensos das funções. Eles são suspeitos de colaborar com o esquema, atribuindo fraudulentamente números de utente a mais de 10 mil imigrantes. As acusações envolvem corrupção passiva, associação para auxílio à imigração ilegal e fraude informática.

A organização criminosa, composta por portugueses e estrangeiros, era liderada por um homem residente em Lisboa. No momento da prisão, a PJ encontrou arma, coletes balísticos, detetores de metal e equipamentos informáticos sofisticados.

As autoridades ainda não têm um cálculo exato do montante movimentado pela rede nem do número total de imigrantes envolvidos — muitos deles, segundo a PJ, já deixaram território português.

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