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Revista Brazilian Times # 86
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Senadora denuncia que imigrante foi violentamente atacado por cão do ICE

A senadora Patty Murray usou as suas redes sociais para denunciar que um imigrante identificado por Wilmer — trazido aos Estados Unidos aos 15 anos e hoje pai de três crianças americanas — foi violentamente atacado por um cão do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) durante uma operação realizada em sua própria casa, segundo relatos divulgados por sua defesa e por autoridades locais. A detenção, que ocorreu no estado de Washington, envolveu um agente que teria se passado por trabalhador da construção civil para atraí-lo para fora da residência.

A senadora Patty Murray usou as suas redes sociais para denunciar que um imigrante identificado por Wilmer — trazido aos Estados Unidos aos 15 anos e hoje pai de três crianças americanas — foi violentamente atacado por um cão do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) durante uma operação realizada em sua própria casa, segundo relatos divulgados por sua defesa e por autoridades locais. A detenção, que ocorreu no estado de Washington, envolveu um agente que teria se passado por trabalhador da construção civil para atraí-lo para fora da residência.

De acordo com o advogado de Wilmer, um agente do ICE bateu à porta e afirmou ter colidido com o carro da família, pedindo que Wilmer saísse para verificar o suposto dano. Assim que ele pisou para fora, outro agente, que estava escondido com um cão policial, liberou o animal, que atacou o imigrante repetidamente. A esposa e os três filhos — de 2, 3 e 7 anos, todos cidadãos dos EUA — assistiram à cena sem poder intervir.

Após o ataque, Wilmer ficou tonto, tremendo, e chegou a relatar que sua visão “ficou totalmente preta” em determinado momento. Ainda assim, segundo sua defesa, agentes do ICE negarem atendimento médico por horas. Ele só foi levado ao hospital mais tarde, onde recebeu pontos pelos ferimentos.

Os médicos prescreveram antibióticos e outros medicamentos essenciais para a recuperação, mas — de acordo com registros e relatos — os antibióticos demoraram para ser entregues e os demais remédios nunca foram disponibilizados. A dificuldade em conseguir atendimento adequado continua, mesmo após sua transferência para o Northwest ICE Processing Center (NWIPC).

“Wilmer não tem condenações e não representa ameaça”, diz a senadora.

Parlamentares que também acompanham o caso defenderam publicamente a libertação imediata do imigrante. Eles frisam que Wilmer não possui qualquer condenação criminal, não apresenta risco à comunidade e precisa urgente de cuidados médicos.

“Existe um número incalculável de famílias que passam por traumas semelhantes e não falam por medo de retaliação”, afirmou uma congressista que apresentou o caso ao público. Ela também criticou a política migratória do governo Trump, que ampliou operações agressivas e o uso de táticas consideradas desproporcionais.

“Está claro que o presidente não está indo atrás de criminosos perigosos, mas sim aterrorizando famílias inteiras, inclusive cidadãos americanos”, disse.

Família devastada

Wilmer é casado com uma cidadã americana e os três filhos do casal nasceram nos EUA. A família está profundamente abalada com o ataque. A esposa relatou que as crianças ainda choram ao lembrar do momento em que viram o pai sendo mordido, derrubado e arrastado pelo cão.

A defesa afirma que a ação do ICE viola protocolos básicos de segurança e direitos humanos, e promete acionar a Justiça para responsabilizar os envolvidos.

Caso amplia questionamentos sobre o uso de força pelo ICE

A denúncia reacende debates sobre o uso de cães policiais e táticas de emboscada em operações migratórias. Organizações de direitos civis pedem uma investigação independente e imediata, argumentando que imigrantes — especialmente aqueles sem antecedentes criminais — não deveriam ser submetidos a violência extrema.

Enquanto isso, Wilmer permanece sob custódia, ainda sem acesso completo ao tratamento médico indicado e à espera de uma decisão sobre seu futuro nos Estados Unidos.

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