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Revista Brazilian Times # 86
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Xerifes republicanos da Flórida pedem a Trump revisão de deportações em massa de imigrantes sem antecedentes criminais

Um grupo de xerifes republicanos da Flórida defendeu publicamente uma mudança na política de imigração dos Estados Unidos

Um grupo de xerifes republicanos da Flórida defendeu publicamente uma mudança na política de imigração dos Estados Unidos, pedindo ao presidente Donald Trump o fim das deportações em massa de imigrantes indocumentados que não tenham histórico criminal. A posição representa uma mudança significativa dentro de um dos estados mais rigorosos do país no combate à imigração irregular.

A manifestação ocorreu durante uma reunião do Conselho de Fiscalização de Imigração do Estado. O xerife do condado de Polk, Grady Judd — uma das principais vozes conservadoras da área de segurança pública na Flórida — afirmou que a realidade vivida pelas autoridades locais exige uma abordagem mais equilibrada.

“Estamos na linha de frente todos os dias, olhando nos olhos dessas pessoas que, sim, entraram de forma irregular. Mas muitas vieram apenas em busca de uma vida melhor para si e suas famílias”, declarou.

Judd anunciou que pretende redigir uma carta direcionada ao presidente Trump, ao presidente da Câmara dos Representantes e ao líder da maioria no Senado, solicitando diretrizes mais claras sobre quais imigrantes devem ser alvo de deportação.

A fala do xerife chama atenção por partir de um aliado político próximo do governador Ron DeSantis e presidente do conselho formado por oito xerifes, criado para orientar políticas migratórias mais rígidas no estado. A posição também contrasta com o discurso histórico de DeSantis, que defende a deportação de todos os imigrantes em situação irregular.

Segundo relatos, ao menos seis dos oito membros do conselho apoiaram a proposta durante a reunião virtual. Entre as críticas levantadas, está a percepção de que as autoridades têm adotado uma abordagem ampla demais, atingindo pessoas sem qualquer envolvimento criminal.

O xerife do condado de Charlotte, Bill Prummell, reforçou a necessidade de ação do Congresso. “Eles precisam sair da inércia e resolver isso. Não estamos realizando operações em massa contra empresas ou residências, mas, quando o ICE entra em ação, há consequências colaterais”, afirmou.

As críticas também se estendem às operações conduzidas por agências federais. De acordo com os xerifes, ações recentes envolvendo o ICE e a Patrulha de Fronteira resultaram em confrontos armados, com mortes registradas — incluindo cidadãos americanos.

Diante desse cenário, os integrantes do conselho concordaram em elaborar conjuntamente um documento pedindo mudanças na política atual. A proposta inclui priorizar a deportação de imigrantes com antecedentes criminais e considerar alternativas para os demais, como aplicação de multas civis, exigência de aprendizado da língua inglesa e restrições ao acesso a benefícios públicos.

O Conselho de Fiscalização de Imigração foi criado pela legislatura da Flórida como parte de um esforço mais amplo para tornar o estado referência nacional na aplicação de leis migratórias. A iniciativa integra uma série de medidas lideradas por DeSantis, incluindo centros de detenção e parcerias obrigatórias entre condados e autoridades federais de imigração.

Apesar do histórico rígido, Judd defendeu uma abordagem mais pragmática ao tratar de imigrantes sem antecedentes criminais. “Não estou dizendo para dar passe livre. Mas muitos já estão trabalhando, colocando os filhos na escola e vivendo em comunidade. São pessoas que contribuem e que este país pode acolher”, afirmou.

Ao final, o xerife reforçou um argumento recorrente no debate migratório americano: “Somos uma nação de imigrantes”.

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