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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 83
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Desenvolvimento da corrida de rua até a maratona no Brasil.

Desenvolvimento da corrida de rua até a maratona no Brasil.

Desenvolvimento da corrida de rua até a maratona no Brasil.

 

O brasileiro agora está correndo e não quer mais parar. A corrida virou parte do estilo de vida de muita gente e tudo indica que essa moda veio para ficar. Embora hoje esteja ainda mais popular, a paixão por correr no Brasil não é algo recente. Durante muitos anos, muitas pessoas praticavam o famoso Cooper, nome dado ao teste de corrida de 12 minutos criado em 1968 e que se tornou bastante conhecido entre praticantes de atividade física.

 

Mas a história das corridas de rua no país ganhou um marco muito especial com a Corrida Internacional de São Silvestre. A prova surgiu em 1925, na cidade de São Paulo, idealizada pelo jornalista Cásper Líbero. No início apenas atletas brasileiros podiam participar, mas com o passar do tempo a corrida cresceu e ganhou fama além das fronteiras do país. Hoje a São Silvestre é conhecida internacionalmente e reúne corredores vindos de várias partes do mundo, transformando as ruas da cidade em um grande espetáculo esportivo. Para quem gosta de corrida, sentir a energia dessa prova histórica é uma experiência que vale a pena viver de perto.

A corrida de rua começou a evoluir de forma marcante entre as décadas de 1979 e 1990 e essa transformação aconteceu muito rapidamente. Durante os anos de 1970 e 1980 houve um verdadeiro estouro mundial da corrida de rua. Com a popularização do Cooper, a prática passou a ser vista como sinônimo de saúde e bem-estar e acabou se transformando em um grande movimento global, especialmente nos Estados Unidos e na Europa. Nesse período começaram a surgir revistas esportivas dedicadas ao tema e a corrida de rua passou a ganhar espaço também dentro do universo do atletismo organizado, atraindo cada vez mais praticantes e admiradores.

Muitas prefeituras, principalmente nas décadas de 1980 e 1990, passaram a promover corridas urbanas como forma de incentivar o turismo e movimentar as cidades. Empresas perceberam rapidamente o potencial desses eventos e começaram a patrocinar provas para divulgar suas marcas. Foi também nesse período que surgiram as primeiras maratonas no Brasil, como a de São Paulo em 1995 e a do Rio de Janeiro em 1979. A maratona do Rio de Janeiro foi a primeira e também a última da qual participei. Hoje prefiro registrar esses momentos através da fotografia.

Outro ponto importante nesse período foi a criação de federações estaduais de atletismo mais estruturadas, o que ajudou a dar mais organização e credibilidade às corridas de rua no Brasil. Com essas entidades mais atuantes, as provas passaram a contar com melhor planejamento, regras mais claras e sistemas mais modernos para a marcação do tempo dos atletas. A presença constante em revistas esportivas também contribuiu para divulgar o esporte e despertar o interesse de novos corredores. Ao mesmo tempo, atletas internacionais começaram a participar com mais frequência das competições brasileiras, elevando o nível técnico e trazendo ainda mais visibilidade para os eventos. As corridas cresceram rapidamente e passaram a reunir milhares de participantes em diversas cidades do país, transformando-se em grandes encontros esportivos e sociais. Para quem gosta de esporte e fotografia, assistir ou participar de uma dessas provas é uma experiência vibrante, cheia de energia, movimento e histórias que se revelam a cada quilômetro do percurso.

Na era atual, marcada pela alta tecnologia e por uma crescente consciência sobre saúde e bem-estar, a corrida de rua ganhou ainda mais impulso em todo o mundo. Um dos fatores que contribuíram fortemente para esse crescimento foi a evolução dos equipamentos esportivos. Entre eles, os calçados de corrida se tornaram peças fundamentais para quem pratica a modalidade. Desenvolvidos com tecnologias cada vez mais avançadas, os tênis modernos oferecem maior conforto, absorção de impacto, estabilidade e desempenho, atendendo tanto corredores iniciantes quanto atletas mais experientes.

Outro avanço importante está nos relógios esportivos com GPS, que hoje fazem parte da rotina de muitos corredores. Esses dispositivos permitem acompanhar o treino em tempo real, registrando distância, ritmo e percurso com grande precisão. Após a atividade, os dados podem ser analisados por meio de aplicativos no celular, facilitando o acompanhamento da evolução nos treinos.

 

Além do GPS, muitos relógios de corrida também contam com monitoramento de frequência cardíaca e estimativas de calorias gastas durante o exercício. Essas informações ajudam o corredor a entender melhor seu desempenho e a ajustar os treinos de forma mais eficiente. Com tantos recursos tecnológicos disponíveis, correr ficou não apenas mais seguro e confortável, mas também muito mais motivador para pessoas de diferentes níveis e idades.

A presença marcante dos brasileiros nas maratonas internacionais é cada vez mais evidente, especialmente nas chamadas World Marathon Majors. Essa série de corridas foi criada em 2006 reunindo inicialmente seis provas icônicas do calendário mundial. Boston, Chicago, Nova York, Londres, Berlim e Tóquio formavam o grupo original e rapidamente se tornaram o grande sonho de muitos corredores ao redor do mundo. Com o passar dos anos, completar esse circuito passou a representar uma conquista especial para atletas amadores e profissionais que buscam desafios memoráveis em diferentes cidades.

Recentemente o circuito ganhou mais uma etapa importante com a inclusão da maratona de Sydney, passando agora a contar com sete majors. Quando um atleta consegue completar todas essas provas recebe uma medalha muito especial que os brasileiros apelidaram carinhosamente de mandala. Não existem números oficiais, mas comenta se que cerca de 620 brasileiros já conquistaram uma mandala. Menos de uma dúzia conseguiu completar o ciclo duas vezes. Já os conquistadores de três mandalas pode se contar nos dedos.

entre os raríssimos conquistadores de três mandalas e entre esses poucos está

Nelson Vasconcelos é um dos raros corredores a conquistar duas mandalas, um feito que demonstra grande determinação e dedicação ao esporte. Eu o conheci em Tóquio e passei a acompanhá-lo no Instagram. Sua trajetória no mundo das corridas começou em 2014, na Maratona do Rio de Janeiro, apenas dois meses antes de completar 54 anos. Desde então, não parou mais. Em 2019 conquistou sua primeira Mandala e, em 2025, alcançou a segunda na Maratona de Boston. Sua história é um belo exemplo de perseverança e inspiração para todos que acreditam que nunca é tarde para alcançar grandes conquistas.

Carlos Zucher faz parte de uma elite de corredores ao conquistar três Mandalas, um feito que exige enorme dedicação e verdadeiro amor pelo esporte. Sua paixão pelas maratonas começou em 2013 e, desde então, ele não parou mais. Carlos alcançou um marco impressionante ao conquistar suas mandalas em três anos consecutivos, 2023, 2024 e 2025, na Maratona de Tóquio. Hoje, ele ocupa uma posição de destaque entre os maratonistas brasileiros, inspirando muitos corredores no Brasil com suas conquistas

A presença brasileira nessas provas é impressionante e quase sempre, na linha de chegada, aparece uma bandeira do Brasil. Isso acaba facilitando o meu trabalho como fotojornalista, já que estou ali justamente para registrar a chegada dos brasileiros e compartilhar esses momentos em um jornal brasileiro.

Uma das experiências mais emocionantes de presenciar em uma grande corrida é o momento da largada de uma maratona. Eu me lembro especialmente da largada da Maratona de Tóquio, com mais de 40 mil participantes reunidos na mesma avenida aguardando o início da prova. Quando o sinal é dado, a energia é imediata e contagiante. O barulho dos corredores disputando cada pequeno espaço na rua é quase ensurdecedor. O som coletivo dos passos batendo no asfalto lembra o estouro de uma grande boiada em movimento, um ruído contínuo que ecoa pelas ruas da cidade. A cena impressiona não apenas pelo som, mas também pela dimensão humana daquele momento. A quantidade de pessoas avançando ao mesmo tempo cria a sensação de um verdadeiro mar de corredores que parece não ter fim. Por vários minutos a multidão continua passando diante dos olhos, formando uma corrente interminável de atletas e entusiastas da corrida.Para quem observa e registra essas cenas, é um espetáculo que mistura emoção, movimento e uma força coletiva difícil de descrever.

 

 

Eu cheguei a fotografar uma cena marcante: a queda de um dos corredores em Tóquio. Incrivelmente, ele não foi pisoteado, conseguiu se levantar e seguir a prova.

 

 

 

Viajar e fotografar é uma forma maravilhosa de eternizar momentos, descobrir novos olhares e reviver, para sempre, as emoções de cada destino visitado.

Eu sempre acredito que é importante contar com um agente de viagens de confiança. Eu tenho o meu e espero que você também tenha o seu.

Para ver mais fotos e vídeos, visite o meu Instagram @moxleyonthemove.

 

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