Cada destino tem o seu próprio jeito de receber o viajante, do aeroporto até o hotel. Veneza é uma cena de filme de James Bond. Dentro do próprio aeroporto existe uma doca coberta com lanchas esperando os passageiros. Você pode estar pensando nas Maldivas, onde se embarca num hidroavião. A diferença é que essas lanchas, e todo o percurso que vem a seguir, são exatamente aquelas que eu já assisti em vários filmes de ação e em filmes românticos passados em Veneza. Feitas de madeira com verniz escuro, o interior também tem um charme impressionante. Entre o aeroporto e a entrada de Veneza existe uma avenida exclusiva para lanchas, com cerca de 8 a 10 quilômetros de extensão, e o percurso leva de 15 a 20 minutos
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Veneza: A Cidade Que Existe Só Para Ser Sentida.

Veneza: A Cidade Que Existe Só Para Ser Sentida.

Cada destino tem o seu próprio jeito de receber o viajante, do aeroporto até o hotel. Veneza é uma cena de filme de James Bond. Dentro do próprio aeroporto existe uma doca coberta com lanchas esperando os passageiros. Você pode estar pensando nas Maldivas, onde se embarca num hidroavião. A diferença é que essas lanchas, e todo o percurso que vem a seguir, são exatamente aquelas que eu já assisti em vários filmes de ação e em filmes românticos passados em Veneza. Feitas de madeira com verniz escuro, o interior também tem um charme impressionante. Entre o aeroporto e a entrada de Veneza existe uma avenida exclusiva para lanchas, com cerca de 8 a 10 quilômetros de extensão, e o percurso leva de 15 a 20 minutos.

O verdadeiro charme começa quando a lancha entra na cidade. Os pequenos prédios coloridos já aparecem na entrada dos canais, a velocidade cai, e dá para observar cada detalhe da construção de Veneza com calma. O caminho pelos canais até o hotel era tão bonito que parecia um passeio turístico. A cada curva, a cada esquina, um novo choque visual.

Nós ficamos em um hotel em Cannaregio, um bairro muito charmoso e uma das regiões mais tranquilas e autênticas de Veneza. Instalado em um edifício histórico restaurado às margens de um pequeno canal, o hotel combina a elegância da decoração veneziana tradicional com o conforto contemporâneo. A atmosfera do hotel transmite tranquilidade e exclusividade, mesmo estando a poucos minutos de importantes atrações de Veneza, como a Ponte Rialto e a Praça de São Marcos. Sua localização permite explorar a cidade a pé, enquanto proporciona um ambiente mais reservado, distante das áreas mais movimentadas.
No primeiro dia, ao invés de fazer o caminho turístico tradicional pela Strada Nova, resolvemos ir pelo lado mais local. Fomos para o lado oposto da área turística. Para quem resolve fazer o mesmo, o conselho é estudar bem o mapa antes e ter um celular que funcione na ilha, pois a recepção era bem ruim. Nossa sorte foi que fizemos o dever de casa e usamos o mapa para aproveitar Veneza ao máximo. Do hotel caminhamos até o bairro de Cannaregio, uma área mais residencial e tranquila, excelente para ser explorada.
O trajeto entre o hotel e o Rio Della Sensa, na Fondamenta Santa Caterina, revela um lado autêntico e silencioso de Veneza. Os detalhes da arquitetura antiga me chamaram muito a atenção: vielas estreitas de pedra, casas com figuras esculpidas nas paredes externas, pontes baixas e canais estreitos a cada esquina, com pequenas embarcações navegando como se fossem ruas. O colorido das casas nos deixava encantados. Um verdadeiro paraíso para fotografia.
A chegada à Fondamenta Santa Caterina oferece uma vista charmosa à beira do canal, cercada por construções tradicionais e um ambiente reservado, bem diferente das áreas mais movimentadas de Veneza. O local transmite tranquilidade e proporciona uma experiência intimista e genuína, ideal para quem quer descobrir a cidade fora dos roteiros mais óbvios. Continuamos caminhando até a parada das embarcações locais. Do outro lado ficava Murano. Passamos a manhã conhecendo esse lado calmo da ilha e aproveitamos para parar em frente à famosa Chiesa di Santa Maria Assunta ai Gesuiti.
A Igreja de Santa Maria Assunta ai Gesuiti, conhecida simplesmente como I Gesuiti, fica no bairro de Cannaregio e é uma das igrejas barrocas mais impressionantes de Veneza. Pertenceu à ordem dos jesuítas, e o templo atual foi construído no século XVIII sobre uma igreja medieval anterior. A fachada monumental já chama atenção de longe, mas é o interior que impressiona de verdade: um dos exemplos mais exuberantes do barroco veneziano, com ornamentação que cobre cada parede e teto. Apesar de estar numa cidade tomada por atrações famosas, a I Gesuiti costuma receber bem menos turistas do que a Basílica de San Marco, o que torna a visita muito mais tranquila e contemplativa. Paramos para almoçar em um restaurante bem local por ali. Um prato de frutos do mar delicioso.
No mesmo dia, já no fim da tarde, fomos passear na Strada Nova. E o sossego acabou. A rua é exclusiva para pedestres e o movimento vai crescendo conforme o sol vai descendo. Essa hora permite observar a Strada Nova se transformando aos poucos, com a luz natural do pôr do sol no chão dando lugar às luzes da cidade que começam a iluminar vitrines e cafés. É uma rua espetacular, com visual extraordinário: várias pequenas lojas de souvenirs, cafés e vitrines elegantes, tudo dentro de construções centenárias com detalhes arquitetônicos impressionantes. Durante nossa caminhada, vimos moradores voltando para casa no meio dos turistas, sem a menor pressa. Difícil foi continuar explorando e sentindo o cheiro agradável de comida. Antes de voltar para o hotel, paramos para jantar em mais um restaurante incrível.
Logo cedo no dia seguinte, fomos em direção ao Rialto pela Strada Nova. O fluxo de pessoas foi ficando mais movimentado conforme avançávamos. Um pouco antes da Ponte dei Santi Apostoli tem uma pracinha que funciona como ponto de conexão, com diversas lojinhas ao redor. A passagem pela própria ponte oferece um dos cenários mais charmosos ao longo do caminho até o Rialto, incluindo gôndolas ancoradas no canal. Caminhar por esse percurso durante o dia permite observar Veneza no seu ritmo mais autêntico, descobrindo detalhes que fazem da cidade um dos destinos mais admirados do mundo. Depois de passar por vários pequenos becos charmosos com fachadas antigas e algumas pontes, finalmente chegamos à famosa Ponte Rialto.
A primeira coisa foi subir ao ponto mais alto, de onde se avista o movimento constante de barcos. A vista panorâmica revela um dos cartões-postais mais emblemáticos da cidade, e é um dos meus favoritos: tenho um quadro com uma das fotos que tirei de lá. Do alto dava para ver gôndolas, vaporettos navegando e também ancorados na margem do Canal Grande. Recomendo muito explorar bem a região ao redor da ponte.
O tradicional Mercado de Rialto continua sendo um dos pontos mais autênticos da área, com frutas frescas, frutos do mar e ingredientes locais que mostram a forte ligação da cidade com o mar. Tem muito mais para se ver e fotografar por ali do que a ponte em si.
À noite voltamos com parte do grupo para jantar em um restaurante na beira do Canal Grande, bem abaixo da Ponte Rialto. O visual se transforma completamente. As luzes se refletem na água, dando à cena um charme ainda maior. A famosa Ponte Rialto ganha ainda mais destaque com sua iluminação discreta e fica cheia de pessoas apreciando o movimento no canal. O movimento dos cafés, restaurantes e pequenas embarcações cria uma atmosfera romântica e tranquila. A comida estava, mais uma vez, maravilhosa.
No dia seguinte, logo cedo, fomos para a Piazza San Marco, o local mais importante de se visitar em Veneza. Quando você chega lá, a primeira coisa que sente é o espaço. A praça é enorme, cercada por prédios com colunas e arcadas dos dois lados, como um abraço de pedra. Fica no coração da cidade, a poucos minutos a pé do Canal Grande, e é fácil chegar de vaporetto descendo na parada San Marco. Num raio de 500 metros ficam os pontos mais importantes: a Basílica, o Campanile, o Palazzo Ducale, a Ponte dei Sospiri e a Ponte della Paglia. Dá para cobrir tudo num único dia bem planejado, começando cedo pela praça ainda vazia, visitando o interior do palácio no meio da manhã antes do pico de movimento, e encerrando com calma no fim da tarde.
A Basílica de São Marcos cumpre o seu papel na história com uma construção impressionante. Por fora, a fachada tem cinco portais em arco cobertos de mosaicos dourados, colunas de mármore trazidas de vários cantos do Mediterrâneo e quatro réplicas dos cavalos de bronze no terraço. Não tem nada de simples ou discreto. É um prédio que foi construído para impressionar e cumpre bem esse papel. Por dentro, o espaço é menor do que a fachada faz parecer, mas o teto inteiro é coberto de mosaicos em fundo dourado com cenas bíblicas.
Logo ao lado da Basílica fica o Palazzo Ducale, o antigo palácio dos Doges, os governantes da República de Veneza. O prédio chama atenção já de fora pelo contraste curioso: a parte de baixo tem colunas e arcadas delicadas em mármore rosa e branco, enquanto a parte de cima parece mais sólida e fechada, o inverso do que se esperaria numa construção assim. Por dentro, os salões são imensos e cobertos de pinturas de Tintoretto e Veronese, incluindo o que é considerado um dos maiores quadros a óleo do mundo, no Salão do Grande Conselho. O ingresso inclui também as masmorras do palácio e a passagem pela Ponte dos Suspiros, o que torna a visita ainda mais completa.
O Campanile é a torre de tijolos vermelhos que domina a Piazza San Marco e serve de referência visual para quase toda a cidade. Com quase 99 metros de altura, é o ponto mais alto de Veneza. Subir é fácil: tem elevador e leva menos de um minuto. Lá em cima, a vista se abre em todas as direções. É um excelente lugar para fotografar.
A Ponte della Paglia é uma ponte simples, sem nada de especial em si mesma, mas com um valor enorme para quem quer fotografar Veneza. É dali que sai aquela imagem cartão-postal da Ponte dos Suspiros com os barcos no canal e os prédios ao fundo. A Ponte dos Suspiros conecta o Palazzo Ducale às antigas prisões da cidade sobre o canal Rio di Palazzo. O nome surgiu da lenda de que os prisioneiros suspiravam ao atravessá-la pela última vez antes de serem levados às celas, admirando a beleza de Veneza pelas pequenas janelas de pedra. Segundo a tradição local, casais que se beijam sob a Ponte dos Suspiros ao pôr do sol terão amor eterno, tornando o local ainda mais simbólico.
Ao redor da praça ficam cafés históricos como o Caffè Florian, que existe desde 1720. Eu não fui, mas minha esposa foi. Ela não quis visitar a Basílica. Segundo ela, vale a pena, mesmo que um café expresso lá dentro custe bem mais caro do que em qualquer bar da cidade. A experiência do ambiente, nas palavras dela, é única.
O que seria Veneza sem o famoso passeio de gôndola? Confesso que tive uma resistência no começo. Logo vem aquele pensamento: mais uma armadilha para turista. Mas eu sempre, quando viajo, me esforço para aceitar que no final do dia sou um turista e vou aproveitar tudo como tal. Fiz apenas um passeio, e se pudesse teria feito umas cinco rotas diferentes pelos canais. O nosso saiu perto do Rialto, navegamos pelo Canal Grande e, ao nos aproximarmos da ponte, pensei: essa foto eu já tirei de cima. Mas de dentro da água é completamente diferente. Recomendo muito, e se possível, um passeio de dia e outro de noite.
Veneza é uma cidade fantástica, cheia de história e cultura, mas exige planejamento antes de visitar. Tem muita coisa para ver num espaço relativamente pequeno, e a última sensação que você quer ter na hora de ir embora é a de que deixou algo para trás. Vale pesquisar com antecedência quais atrações precisam de ingresso reservado, organizar um roteiro por região e não tentar ver tudo de uma vez. A culinária é um capítulo à parte: frutos do mar frescos, cicchetti nos bares locais e uma tradição gastronômica que reflete séculos de influência do Mediterrâneo. O visual da cidade é rico em detalhes em todo lugar, dos palacetes às pontes, das fachadas coloridas refletindo na água dos canais às vielas estreitas onde a maioria dos turistas nunca chega. Veneza recompensa quem vai com calma e curiosidade.
Viajar e fotografar é uma forma maravilhosa de eternizar momentos, descobrir novos olhares e reviver, para sempre, as emoções de cada destino visitado.
Eu sempre acredito que é importante contar com um agente de viagens de confiança. Eu tenho o meu e espero que você também tenha o seu.
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CHEGADA EM VENEZA








BAIRRO LOCAL DE CANNAREGIO














PONTE RIALTO











AS GÔNDOLAS




PIAZZA SAN MARCO




BASÍLICA DE SÃO MARCOS





PONTE DOS SUSPIROS

VENEZA








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