Um ataque dentro de uma escola em Newport News, na Virgínia, volta a chamar atenção após a divulgação de imagens de câmeras corporais da polícia. O menino de 6 anos que atingiu a professora Abby Zwerner, em janeiro de 2023, não enfrentou acusações criminais relacionadas ao episódio, segundo reportagem do New York Post baseada em registros judiciais.
Identificada apenas pelas iniciais J.T., a criança foi encaminhada para 227 dias de internação psiquiátrica. O caso levanta uma questão que ultrapassa a responsabilização do menino: como uma criança com histórico de comportamentos preocupantes conseguiu levar uma arma para a sala de aula?
O episódio aconteceu na Richneck Elementary School, diante de 16 alunos do primeiro ano. Nas gravações divulgadas, o menino aparece dirigindo insultos e ameaças a policiais enquanto uma educadora o segura e tenta acalmá-lo.
Durante a abordagem, J.T. afirma ter retirado a arma da bolsa da mãe naquela manhã. Uma funcionária também informa aos agentes que aquela era a primeira semana em que ele frequentava a escola sem o acompanhamento materno.
Mãe respondeu à Justiça
Deja Nicole Taylor, mãe do menino, passou quase dois anos na prisão após se declarar culpada de negligência infantil e de acusações federais relacionadas à compra da arma.
Segundo a reportagem, parte das acusações federais envolveu informações falsas sobre o uso de maconha no formulário preenchido para adquirir o armamento.
Os processos também revelaram episódios anteriores que indicavam a necessidade de atenção. De acordo com os promotores, aos 5 anos, J.T. pegou escondido as chaves da mãe e dirigiu o carro sozinho em duas ocasiões. Em uma delas, houve uma colisão.
Bisavô aponta falta de acompanhamento
O bisavô da criança, Calvin Taylor, afirmou à WAVY News que a família havia procurado ajuda antes do ataque. Segundo ele, um plano de segurança foi estabelecido após o episódio com o carro, mas não houve acompanhamento posterior.
“Ele já era uma vítima antes daquela data”, declarou em entrevista concedida em janeiro de 2024.
Na ocasião, Calvin disse que o menino estava tirando boas notas em uma nova escola e reconhecia a gravidade do que havia feito.
Sem acusação criminal, mas com intervenção psiquiátrica
A ausência de acusações contra J.T. não significou ausência de intervenção: houve internação psiquiátrica determinada judicialmente. O relato consultado, porém, não detalha a fundamentação jurídica da decisão de não apresentar acusações criminais contra a criança.
Entre a condenação da mãe e as alegações de falta de assistência, o caso mantém no centro uma cobrança por respostas: quais medidas poderiam ter impedido que os sinais anteriores terminassem em um ataque dentro da escola?





