Liderar, à primeira vista, não parece uma tarefa difícil.
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Liderar Não É Agradar — É Conduzir
Liderar, à primeira vista, não parece uma tarefa difícil.
Se tomarmos por base a definição encontrada nos dicionários, trata-se quase de seguir um manual: indicar o caminho, influenciar positivamente e conduzir com propósito. No entanto, o verdadeiro desafio reside na complexidade das relações humanas. Personalidades distintas, reunidas em um mesmo ambiente, podem transformar o local de trabalho em uma zona de risco — e o impacto recai diretamente sobre o líder, comprometendo inclusive os resultados que a organização almeja alcançar.
Por isso, a liderança precisa ser autêntica, firme em suas decisões e isenta de favoritismos. A balança não pode ter dois pesos e duas medidas. É preferível ser reconhecido como um líder sério a ser visto como alguém influenciável. Quem teme se posicionar não está preparado para liderar. Quem busca aceitação unânime tampouco deve ocupar cargos de confiança. E quem deseja agradar a todos já iniciou sua trajetória no fracasso, pois liderar não é fazer a vontade do grupo, mas conduzi-lo ao caminho correto — ainda que esse caminho seja árduo, estreito e repleto de resistências. O êxito, muitas vezes, está justamente no fim dessa estrada menos confortável.
Ao assumir uma posição de liderança, mudanças comportamentais e relacionais se impõem naturalmente. Entre elas:
Amigos de ontem passam a resistir ao fato de serem liderados;
Colegas que antes conviviam bem começam a fomentar comentários negativos;
Pequenos defeitos, antes despercebidos, passam a ser evidenciados sob a “luz do sol”.
Essas reações refletem, em muitos casos, a dificuldade humana em lidar com a ascensão alheia — somada à clássica resistência de alguns em se deixarem liderar. Infelizmente, há quem só colabore se estiver no topo da pirâmide, recusando-se a contribuir com quem ocupa a posição que desejava para si.
É fundamental compreender que, nas organizações, estamos para desenvolver um trabalho profissional. A cordialidade é indispensável; a elegância na comunicação, esperada. Amizades podem surgir, mas não são regra. O líder, por sua vez, deve estar preparado para lidar com a solidão do cargo — afinal, dificilmente será convidado para um “happy hour“, espaço em que muitos aproveitam para criticar a gestão, ainda que esta seja justa. Nem todos compartilham a mesma visão.
Separar o profissional do pessoal é essencial para evitar injustiças. Pesquisas apontam que 85% das demissões voluntárias ocorrem por insatisfação com o líder, e não com a empresa — mesmo quando esta oferece segurança e excelentes benefícios. Muitos preferem abrir mão de tudo apenas para se afastar de seus gestores. Trata-se de uma realidade alarmante: há líderes que não desenvolveram competências relacionais e apenas almejam o status do cargo.
Se você ocupa uma posição de liderança, não se abale diante da reprovação. A firmeza no discurso pode assustar, mas, se for justo e coerente, não deve ser alterado. Antes de liderar pessoas, aprenda a liderar a si mesmo.
Algumas práticas são fundamentais nessa jornada:
-Oxigene seus pensamentos quando for atacado injustamente;
-Mantenha-se atualizado, para evitar ser desmoralizado diante da equipe;
-Cultive uma rede de amizades fora do ambiente corporativo, para conversas leves e necessárias.
Liderar não é difícil. O que torna a missão complexa são as dores e os traumas que muitos carregam sem buscar ajuda adequada. Em vez de recorrerem a profissionais especializados, preferem sangrar no local errado — e diante da pessoa errada.
Mantenha-se firme. A liderança exige postura, não fragilidade, pois, no fim das contas, ninguém se inspira em quem se omite.
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