Em meio à intensificação das políticas de deportação do governo do presidente Donald Trump, comunidades em todo os Estados Unidos reforçam a solidariedade aos imigrantes. Com slogans como “No human being is illegal” e “We didn’t cross the border, the border crossed us”, movimentos sociais, sindicatos e organizações de direitos civis têm se unido para exigir proteção e respeito àqueles que são fundamentais para a economia norte-americana.
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“Nenhum ser humano é ilegal”: Comunidades nos EUA se mobilizam em defesa dos imigrantes
Em meio à intensificação das políticas de deportação do governo do presidente Donald Trump, comunidades em todo os Estados Unidos reforçam a solidariedade aos imigrantes. Com slogans como “No human being is illegal” e “We didn’t cross the border, the border crossed us”, movimentos sociais, sindicatos e organizações de direitos civis têm se unido para exigir proteção e respeito àqueles que são fundamentais para a economia norte-americana.
Desde fevereiro de 2025, o país tem registrado ações mais duras contra imigrantes. A deportação de 104 indianos algemados em um avião militar chocou a opinião pública. Até agora, cerca de 400 indianos já foram expulsos. Paralelamente, agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE) realizaram detenções de estudantes que participaram de protestos pacíficos contra a destruição de Gaza. Em alguns casos, o governo invocou a Alien Enemies Act, lei do século XVIII, para enviar quase 300 imigrantes ao polêmico presídio de segurança máxima CECOT, em El Salvador.
Cidades como Martha’s Vineyard, em Massachusetts, também foram alvo de operações do ICE. Nessas localidades, moradores resistiram às ações e defenderam vizinhos e amigos imigrantes, cobrando o devido processo legal.
Dados do Center for Immigration Studies mostram que os EUA têm uma população de 342 milhões de pessoas, das quais 53,3 milhões são imigrantes. Estima-se que 15 milhões vivam sem documentos. Apesar das medidas repressivas, especialistas e ativistas lembram que os imigrantes são essenciais para diversos setores.
Construção Civil: 1,6 milhão de trabalhadores imigrantes atuam no setor, representando 20% da força total. Em Nova York, 63% dos operários são estrangeiros, e 40% deles estão em situação irregular. No Texas, o número chega a 400 mil.
Agricultura: 73% da mão de obra é imigrante, metade sem documentos. O setor movimentou US$ 222 bilhões em 2023, com impacto total de US$ 1,53 trilhão na economia.
Cuidados e Serviços Domésticos: cerca de 300 mil trabalhadores indocumentados atuam como cuidadores, babás, faxineiros e auxiliares. Mais de 30% dos funcionários de apoio em lares de idosos são estrangeiros.
Indústria de Carnes: mais de 500 mil empregados atuam em frigoríficos, muitos por meio de vistos temporários.
O relatório “Death on the Job” da AFL-CIO mostrou que, em 2022, 5.486 trabalhadores morreram em acidentes de trabalho nos EUA. Entre eles, 1.248 eram latinos, sendo 60% imigrantes. O índice de fatalidade de latinos foi 24% maior que a média nacional.
Para líderes comunitários, a resposta precisa vir da união entre sindicatos e trabalhadores.
“Se não formos ousados em enfrentar esses ataques, eles apenas continuarão”, disse Amrita Dani, do Sindicato de Professores de Boston.
Já o líder sindical Evan MacKay, ligado à Universidade Harvard, reforçou que contratos e direitos só têm efeito real quando acompanhados de mobilização de base.
Na comunidade brasileira, o clima é de medo. “Muitas famílias estão evitando ir ao médico, ao trabalho e até enviar seus filhos à escola”, afirmou Heloisa Galvão, diretora do Brazilian Women’s Group, em Boston. Segundo ela, a insegurança tem levado a perdas de renda, aumento da fome e até da população em situação de rua.
Solidariedade em tempos difíceis
Apesar das dificuldades, cresce o movimento de resistência. Seminários, protestos e ações de conscientização reforçam que a luta por direitos trabalhistas e dignidade ultrapassa fronteiras. Como lembram os ativistas, a contribuição dos imigrantes vai muito além da economia — é parte do tecido social e cultural dos Estados Unidos.
Os gritos ecoam em diversas línguas: “Hum Ladenge aur Aum Jeetenge!” (Lutaremos e venceremos) e “Sí, se puede!” (Sim, é possível). Um chamado coletivo para enfrentar o medo e reafirmar que, acima de tudo, nenhum ser humano é ilegal.
(com informações: https://indiacurrents.com)
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