Publicidade

Publicidade

edição ma

Edição MA 4385

Última Edição #4385

Edição MA 4385

BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 85
Última Edição #85

Coluna Social por Edmundo Alvarenga: Quando o sonho mudou de lado

Hoje, começo uma nova caminhada como cronista aqui no Brazilian Times. E não poderia haver tema mais apropriado para a minha estreia do que falar da cidade onde nasci e vivi: Governador Valadares, conhecida há décadas por ser uma das maiores exportadoras de brasileiros para os Estados Unidos.

Hoje, começo uma nova caminhada como cronista aqui no Brazilian Times. E não poderia haver tema mais apropriado para a minha estreia do que falar da cidade onde nasci e vivi: Governador Valadares, conhecida há décadas por ser uma das maiores exportadoras de brasileiros para os Estados Unidos.

Quem é de Valadares sabe do que estou falando.

Em meados dos anos 70, quando eu era um jovem de classe média, havia um lugar que reunia praticamente toda a juventude da cidade. Eu costumo chamá-lo de ‘Circuito Pio XII’. Ali, não importava se o pai era médico, fazendeiro, comerciante, bancário ou funcionário público. Filhos de famílias mais simples também estavam ali. Era um espaço democrático, onde todo mundo se encontrava.

Mas havia uma diferença impossível de esconder.

Enquanto muitos sonhavam apenas com um futuro melhor, alguns chegavam em carros que pareciam saídos de filmes, motos reluzentes, roupas de marca e uma vida que, para a maioria de nós, parecia distante demais.

Só que a vida adora trocar os papéis.

Muitos daqueles jovens que não tinham dinheiro para fazer uma faculdade encontraram um único caminho possível: os Estados Unidos. Um parente chamava outro, um amigo indicava outro, e assim foi surgindo uma corrente que atravessou fronteiras.

Eles foram embora praticamente com a coragem no bolso.

Trabalharam duro. Muito duro.

Lavaram pratos, foram pedreiros, carregaram caixas, enfrentaram o frio, a saudade, o preconceito e jornadas intermináveis. Construíram a vida tijolo por tijolo. Criaram raízes. Vieram os filhos, depois os netos. Muitos se tornaram cidadãos americanos sem jamais deixar de ser brasileiros de coração.

Hoje, quando volto meus olhos para Valadares, percebo uma curiosa inversão do destino.

Boa parte dos investimentos que movimentam a cidade vem justamente desses brasileiros que um dia partiram sem quase nada. Compram imóveis, constroem prédios, casas e lojas, movimentam o comércio e ajudam a impulsionar a economia local.

Enquanto isso, algumas famílias tradicionais, que um dia representavam prosperidade, já não vivem a mesma realidade. Afinal, patrimônio pode ser herdado. Trabalho, visão e perseverança, não.

A vida ensina que a riqueza não se mede apenas pelo que se recebe, mas, principalmente, pelo que se constrói.

Tenho enorme admiração pelos nossos ‘brazucas’. Eles levaram consigo a coragem mineira e provaram que, muitas vezes, o maior patrimônio de uma pessoa é a disposição para trabalhar.

É por isso que começo minha caminhada no Brazilian Times com tanta alegria.

Não estou atravessando fronteiras em busca de uma nova vida. Graças a Deus, construí a minha história aqui, como artista plástico. Mas agora quero atravessar fronteiras por meio das palavras.

Quero levar um pedaço de Minas para quem mora em Boston, Miami, Orlando, Newark, Nova York ou em qualquer canto dos Estados Unidos.

Quero falar do cheiro do café passado na hora, do pão de queijo saindo do forno, do doce de leite, das tardes tranquilas do interior, das lembranças que o tempo nunca consegue apagar.

Porque descobri uma coisa: às vezes, a saudade também pode ser alimentada.

E espero que, toda semana, minhas crônicas consigam servir um pedacinho de casa para quem está tão longe dela.

Aos ‘brazucas’, meu respeito, carinho e, principalmente, minha admiração!

– Edmundo Alvarenga

📱 Baixe o app Brazilian Times — Grátis

Publicidade

Deixe um comentário

Brazilian Times
Brazilian Times
Grátis · Google Play
BAIXAR
×