Os tribunais de imigração dos Estados Unidos encerraram um número recorde de processos em junho de 2026, refletindo a intensificação das ações relacionadas à política migratória no país. De acordo com dados divulgados pelo Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), da Universidade de Syracuse, foram finalizados 100.773 casos no período, o maior volume já registrado pela instituição.
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Tribunais dos EUA batem recorde de processos de imigração encerrados; brasileiros estão entre os mais afetados
Os tribunais de imigração dos Estados Unidos encerraram um número recorde de processos em junho de 2026, refletindo a intensificação das ações relacionadas à política migratória no país. De acordo com dados divulgados pelo Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), da Universidade de Syracuse, foram finalizados 100.773 casos no período, o maior volume já registrado pela instituição.
Grande parte dessas decisões resultou em ordens de remoção, que representaram 78.882 casos, o equivalente a 78,3% de todos os processos concluídos no mês. O percentual também demonstra uma tendência de crescimento ao longo dos últimos meses: entre março e junho, a participação das ordens de remoção entre os casos encerrados aumentou de cerca de 70% para mais de 78%.
É importante destacar que uma ordem de remoção não significa que a deportação já tenha ocorrido. Trata-se de uma decisão judicial determinando a retirada do imigrante do país, mas sua execução ainda pode depender de recursos judiciais, da localização da pessoa ou da disponibilidade operacional do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).
O Texas foi o estado com maior número de ordens emitidas em junho, totalizando 20.840 decisões, um crescimento de 66% em relação ao período anterior. Illinois registrou o maior avanço proporcional entre os estados com maior volume de casos, chegando a 7.087 ordens, alta de 120%. Também apresentaram aumentos expressivos Nova Jersey, com 2.835 ordens (+66%), Massachusetts, com 1.692 (+79%), e Pensilvânia, com 2.001 (+66%). Já Flórida e Califórnia tiveram crescimento abaixo da média nacional.
Brasileiros registram aumento acima da média
Os brasileiros aparecem entre os grupos de imigrantes mais impactados pela aceleração das decisões judiciais. Apenas em junho foram emitidas 1.853 ordens de remoção envolvendo cidadãos brasileiros. No acumulado entre março e junho, o total chegou a 5.312 ordens, representando um crescimento de 52%, acima da média nacional, que foi de aproximadamente 30%.
Os estados com maior concentração da comunidade brasileira — como Flórida, Massachusetts, Nova Jersey, Texas e Nova York — concentram boa parte desse aumento. Segundo o levantamento, os brasileiros figuram entre as nacionalidades que mais tiveram crescimento nas ordens de remoção, atrás apenas de haitianos e romenos em termos proporcionais.
Deportações efetivas seguem outro ritmo
Embora o número de ordens judiciais tenha aumentado de forma significativa, especialistas ressaltam que nem todas resultam em deportação imediata.
Dados do governo brasileiro apontam que 4.199 brasileiros foram efetivamente deportados dos Estados Unidos entre janeiro de 2025 e abril de 2026, conforme informações do Ministério dos Direitos Humanos e da Polícia Federal.
Com base no ritmo das operações observado em 2026, estimativas indicam que entre 1.100 e 1.600 brasileiros podem ter sido deportados entre março e junho deste ano. Caso essa projeção se confirme, o total de deportações efetivamente realizadas desde janeiro de 2025 poderá variar entre 5.300 e 5.800 pessoas até o fim de junho. Os números, porém, são estimativas e podem sofrer alterações conforme a capacidade operacional do ICE e o andamento de recursos judiciais.
Reflexos para a economia
O aumento das ordens de remoção também desperta preocupação entre empresários e economistas, especialmente em setores que dependem fortemente da mão de obra imigrante.
Áreas como construção civil, agricultura, hotelaria, restaurantes, limpeza e cuidados com idosos empregam grande número de trabalhadores estrangeiros, incluindo brasileiros. Em estados como Flórida, Massachusetts e Nova Jersey, a redução da força de trabalho pode provocar dificuldades para empresas preencherem vagas, elevar custos operacionais e contribuir para aumentos de preços em alguns serviços.
Analistas observam que alguns segmentos, especialmente a construção civil, já começam a enfrentar atrasos em projetos e pressão sobre os salários devido à menor oferta de trabalhadores, cenário que poderá se intensificar caso o ritmo das ordens de remoção e das deportações continue aumentando nos próximos meses.
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