O Krome Processing Center, maior centro de detenção de imigrantes da Flórida, enfrenta uma grave crise de superlotação que vem resultando em um número crescente de emergências médicas e denúncias de negligência no atendimento.
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Superlotação em centro de detenção da Flórida provoca aumento de emergências médicas
O Krome Processing Center, maior centro de detenção de imigrantes da Flórida, enfrenta uma grave crise de superlotação que vem resultando em um número crescente de emergências médicas e denúncias de negligência no atendimento. Entre janeiro e julho deste ano, as chamadas para o serviço de emergência 911 feitas a partir do local dobraram em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 86 para 170, segundo registros do Gabinete do Xerife de Miami-Dade.
Os relatos incluem crises de convulsões, dores no peito, desmaios e outras ocorrências graves. Em muitos casos, segundo registros oficiais e entrevistas com advogados e familiares, os detentos sequer tinham concluído o processo de entrada no sistema de Krome, o que os deixava sem acesso imediato a atendimento médico.
O número de pessoas mantidas no centro também disparou. Dados da Agência de Imigração e Alfândega (ICE) apontam que a população média diária em Krome subiu de menos de 600 no início do governo Trump para cerca de 900 em julho. Contudo, registros adicionais obtidos pela organização TRAC mostram que, em abril, o centro chegou a abrigar mais de 1.800 pessoas – três vezes acima de sua capacidade oficial.
O agravamento das condições transformou Krome no centro de detenção mais letal do país em 2025, com pelo menos três mortes registradas. Entre elas, a de Isidro Perez, de 75 anos, que morreu em junho após relatar dores no peito, e a do ucraniano Maksym Chernyak, de 44, que sofreu um derrame em fevereiro. Em ambos os casos, familiares alegam demora e falhas no atendimento médico.
Advogados e defensores de imigrantes descrevem as condições como “desumanas”. Há relatos de pessoas dormindo no chão, sem acesso a banho ou roupas limpas por dias, além da falta de água potável e refeições regulares. “É absolutamente horrendo. Em quase 10 anos de prática, nunca vi nada parecido”, afirmou a advogada de imigração Chelsea Nowel.
O aumento das detenções está ligado ao endurecimento da política imigratória sob o presidente Donald Trump e ao apoio do governador Ron DeSantis, que ampliou a cooperação das forças policiais estaduais com a ICE. Isso fez com que imigrantes sem antecedentes criminais, que em administrações anteriores poderiam responder em liberdade, agora sejam mantidos por meses em centros de detenção. Mais da metade dos detidos em Krome não possui histórico criminal.
Em sua última inspeção, realizada entre abril e maio, a própria ICE registrou 14 falhas em Krome, a maioria ligada ao atendimento médico e às salas de espera, que frequentemente superaram a lotação máxima de 25 pessoas. Parlamentares democratas da Flórida já classificaram a situação como “alarmante” e pediram maior supervisão.
Ainda assim, representantes da agência e políticos como o deputado Carlos Gimenez minimizaram os problemas. Após visitar Krome, Gimenez declarou que não encontrou sinais de superlotação ou más condições.
Enquanto isso, familiares e advogados continuam a denunciar negligência médica, atrasos em atendimentos e abusos dentro da unidade. Para defensores, a solução passaria pela revisão das regras de detenção obrigatória e pela liberação de imigrantes com laços comunitários e problemas de saúde.
“É tão pior do que já vimos antes – e por nada”, resume Nowel. “Não há justificativa para que isso esteja acontecendo.”
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