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Revista Brazilian Times # 85
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Brasileira que sobreviveu aos abusos de Jeffrey Epstein participa de protesto para pressionar Congresso dos EUA

Se o projeto for aprovado, será um teste importante para a liderança do presidente da Câmara, Mike Johnson, e para a influência de Trump sobre os republicanos em uma Câmara profundamente dividida.


Vítimas do condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein intensificaram nesta quarta-feira, dia 03, a pressão sobre o Congresso dos Estados Unidos, pedindo a aprovação de uma legislação que obrigue a divulgação de todos os documentos não classificados relacionados ao financista, atualmente retidos pela administração do presidente Donald Trump.

O caso Epstein, marcado por abusos de menores e uma complexa rede de proteção legal, continua a gerar polêmica em Washington, especialmente diante da resistência de líderes republicanos em liberar informações completas.

Entre as participantes da coletiva em frente ao Capitólio, a brasileira Marina Lacerda destacou-se ao contar sua experiência pessoal. Imigrante no país, ela conheceu Epstein aos 14 anos, depois que uma amiga lhe disse que poderia ganhar centenas de dólares massageando um homem mais velho.

Marina relatou o impacto profundo que essa experiência teve em sua vida e disse que decidiu falar publicamente porque finalmente sentiu que sua voz seria ouvida. “A única razão de eu estar aqui é que parece que as pessoas que importam neste país querem ouvir o que temos a dizer”, afirmou.

Outra sobrevivente, Anouska De Georgiou, ex-modelo e atriz, afirmou que a iniciativa busca “acabar com o segredo onde quer que o abuso de poder floresça”. Ambas apoiam o Epstein Files Transparency Bill, projeto em tramitação na Câmara dos Representantes que exige a liberação de documentos mantidos pelo FBI, escritórios de procuradores federais e outras agências governamentais. Anouska destacou que sobreviventes precisam de proteção, recursos e apoio jurídico, e conclamou o Congresso a assumir a responsabilidade de fornecer assistência legal às vítimas.

O evento foi organizado pelos deputados Thomas Massie (R-KY) e Ro Khanna (D-CA), que vêm tentando forçar a votação do projeto, usando um procedimento complexo conhecido como “discharge petition”.

Essa manobra exige a assinatura de pelo menos 218 deputados para levar a proposta a plenário, e até quarta-feira apenas três republicanas — Nancy Mace, Lauren Boebert e Marjorie Taylor Greene — haviam se comprometido a apoiar a iniciativa. Caso os 212 democratas aprovem o projeto, Massie precisaria convencer pelo menos mais cinco republicanos a se juntar a ele.

Líderes republicanos têm buscado conter o avanço do projeto, argumentando que milhares de páginas de documentos já foram divulgadas. O presidente Donald Trump declarou à imprensa que a proposta é “uma farsa dos democratas” e afirmou que a liberação completa de documentos não traria novas revelações significativas sobre o caso. Massie criticou essa postura, afirmando que a estratégia de apresentar uma resolução simbólica para substituir a votação é “o mais velho truque do pântano”.

Recentemente, um painel da Câmara controlado pelos republicanos divulgou mais de 33 mil páginas de arquivos relacionados a Epstein, que cometeu suicídio em 2019 enquanto estava preso. No entanto, os defensores do Epstein Files Transparency Bill argumentam que apenas uma parte dos documentos foi liberada, e que muitas informações relevantes ainda permanecem ocultas, incluindo registros que poderiam esclarecer a extensão da rede de abuso e as possíveis falhas no sistema de justiça.

Se o projeto for aprovado, será um teste importante para a liderança do presidente da Câmara, Mike Johnson, e para a influência de Trump sobre os republicanos em uma Câmara profundamente dividida. Para as vítimas, a aprovação da lei representaria não apenas uma vitória simbólica, mas também um passo concreto na busca por justiça, transparência e responsabilização daqueles que participaram ou acobertaram os crimes de Epstein.

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