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Revista Brazilian Times # 86
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Número de imigrantes detidos em Delaney Hall triplica sob administração Trump

O número de pessoas detidas no centro de detenção de imigrantes Delaney Hall, localizado em Newark (New Jersey), triplicou em novembro em comparação aos primeiros meses do ano, segundo dados federais analisados pelo TRAC, grupo de pesquisa não partidário especializado em registros públicos.

O número de pessoas detidas no centro de detenção de imigrantes Delaney Hall, localizado em Newark (New Jersey), triplicou em novembro em comparação aos primeiros meses do ano, segundo dados federais analisados pelo TRAC, grupo de pesquisa não partidário especializado em registros públicos.

A população média diária da unidade atingiu 807 pessoas no mês passado — um salto significativo em relação a setembro, quando havia 234 detidos. Em todo o país, mais de 61 mil pessoas estavam sob custódia do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) em meados de novembro.

Dados do Departamento de Segurança Interna (DHS), responsável por supervisionar centros como Delaney Hall, indicam que cerca de 10% dos detidos no local possuem antecedentes criminais.

O centro é administrado pela empresa privada GEO Group, que opera a instalação por meio de um contrato federal de US$ 1 bilhão e 15 anos de duração. Para organizações de defesa dos imigrantes, o modelo de operação explica o crescimento acelerado das detenções.

“Essas instalações com fins lucrativos têm todo o incentivo para encher o maior número possível de camas”, afirmou Dante Apaéstegui, estrategista da New Jersey Alliance for Immigrant Justice. “O aumento não surpreende.”

A GEO Group não comentou o caso e encaminhou perguntas para a administração Trump. O porta-voz do DHS, Jason Koontz, disse apenas que a pasta está preparando um relatório estatístico sobre as atividades de 2025.

Expansão rápida e recorde de detenções

Com mais de 1.000 vagas, Delaney Hall tornou-se rapidamente um dos maiores centros de detenção do país e já superou em capacidade o Elizabeth Detention Center, também em Nova Jersey, que opera com 300 leitos. Lá, aproximadamente 80% dos detidos não possuem antecedentes criminais.

Dados federais mostram ainda que o tempo médio de permanência em ambos os centros é de 14 dias, abaixo da média nacional de 31 dias em instalações do ICE.

Desde que Delaney Hall abriu, em maio, a população detida cresceu de menos de 100 pessoas para mais de 800 em novembro — um aumento consistente ao longo do verão e início do outono, acentuado pelo crescimento das operações de fiscalização ordenadas pelo governo Trump, que busca deter e deportar centenas de milhares de imigrantes.

Segundo o Immigration Enforcement Dashboard, agentes do ICE realizaram 5.378 prisões em Nova Jersey desde janeiro, o nono maior número entre todos os estados.

Alvo: trabalhadores sem antecedentes

Apesar do discurso oficial da secretária do DHS, Kristi Noem, de que o ICE mira os “piores criminosos”, dados obtidos pelo Cato Institute mostram que apenas 5% dos detidos desde outubro têm histórico violento, enquanto 73% não possuem condenações criminais.

Advogados e grupos de direitos humanos afirmam que as recentes operações no estado — como a ação em um galpão em Woodbridge, em outubro, e uma tentativa sem mandado no Condado de Burlington — deixaram comunidades imigrantes aterrorizadas.

“Eles estão mirando trabalhadores”, disse Apaéstegui. “Isso virou o padrão em Nova Jersey.”

Batalhas legais e reação política

Em julho, um tribunal federal derrubou uma lei estadual que proibia contratos entre empresas privadas de prisões e o governo federal dentro de Nova Jersey.

Na semana passada, os deputados Donald Norcross, Frank Pallone, Rob Menendez, LaMonica McIver e Bonnie Watson Coleman apresentaram um projeto de lei que busca eliminar gradualmente centros de detenção privados em até três anos. Com o Congresso atual sob controle republicano, o texto tem chances praticamente nulas de avançar.

Ano mais letal desde 2004

O aumento das detenções ocorre no ano mais mortal para pessoas sob custódia do ICE desde 2004. Segundo o American Immigration Council, 23 imigrantes morreram em 2025 em centros de detenção — um número que reforça as preocupações sobre condições, fiscalização e transparência nas instalações.

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