Segundo a organização, a baixa cobertura ocorre em um contexto de alta vulnerabilidade. “Imagine enfrentar juízes, trocas constantes de assistentes sociais e sucessivas mudanças de moradia sem um único adulto focado apenas no que é melhor para você”, afirmou Nicole Stewart, diretora-executiva da Boston CASA e ex-jovem do sistema de acolhimento.
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Boston CASA faz apelo por voluntários para defender jovens em acolhimento familiar em Suffolk e Middlesex
Da redação
A Boston CASA (Court Appointed Special Advocates) lançou um apelo urgente por voluntários dispostos a atuar na defesa de crianças e adolescentes inseridos no sistema de acolhimento familiar nos condados de Suffolk County e Middlesex County. Atualmente, apenas 15% dos jovens elegíveis nessas regiões contam com o acompanhamento de um CASA — voluntário treinado e nomeado pelo tribunal para representar exclusivamente o melhor interesse da criança.
Segundo a organização, a baixa cobertura ocorre em um contexto de alta vulnerabilidade. “Imagine enfrentar juízes, trocas constantes de assistentes sociais e sucessivas mudanças de moradia sem um único adulto focado apenas no que é melhor para você”, afirmou Nicole Stewart, diretora-executiva da Boston CASA e ex-jovem do sistema de acolhimento. “É essa a realidade de muitos desses jovens. Um CASA muda essa equação ao oferecer presença constante e defesa ativa.”
Como funciona o trabalho dos CASAs
Diferentemente de mentores ou prestadores de serviços, os CASAs são designados por um juiz e acompanham uma criança ou um grupo de irmãos ao longo de todo o processo judicial. O trabalho inclui visitas regulares e articulação com professores, médicos, famílias acolhedoras, advogados e assistentes sociais para garantir acesso a educação, saúde, serviços essenciais e moradia permanente.
Os voluntários assumem um compromisso mínimo de 18 meses, passam por 30 horas de treinamento inicial e participam de 12 horas anuais de capacitação contínua. Após a designação do caso, a dedicação média é de 10 a 15 horas por mês.
Por que a atuação é decisiva
Os dados apresentados pela Boston CASA evidenciam a urgência do reforço no voluntariado: apenas 50% dos jovens em acolhimento concluem o ensino médio; menos de 4% alcançam um diploma universitário de quatro anos; e quase metade enfrenta situação de rua até os 26 anos.
Estudos nacionais indicam que 92% dos juízes afirmam que a presença de um CASA melhora os resultados para as crianças, enquanto 83% dizem que os voluntários ajudam a garantir serviços essenciais. Jovens acompanhados por CASAs apresentam maiores chances de sucesso escolar, acesso a cuidados adequados e obtenção de um lar estável e permanente.
Quem pode se candidatar
Para se tornar voluntário, é necessário ter 21 anos ou mais, disponibilidade para encontros presenciais mensais com os jovens e capacidade de lidar com situações complexas com empatia e diplomacia. A organização reforça a importância de manter crenças pessoais separadas do papel de advocacy.
A Boston CASA também busca ampliar a diversidade de seu corpo de voluntários e incentiva candidaturas de pessoas que falem outros idiomas, se identifiquem como pessoas negras, homens ou integrantes da comunidade LGBTQ+.
Sessões informativas
A participação em uma sessão informativa virtual é obrigatória para quem deseja se candidatar ao próximo ciclo de formação, que começa na primavera. As reuniões ocorrerão via Zoom nas seguintes datas:
27 de janeiro, das 12h às 13h (última antes do treinamento de março)
10 de fevereiro, das 17h30 às 18h30
Mais informações e inscrições estão disponíveis no site oficial da organização: www.bostoncasa.org.
Criada para atuar diretamente no sistema de proteção à infância, a Boston CASA recruta, treina e apoia voluntários que defendem crianças retiradas de seus lares por abuso ou negligência. A organização reforça que um único adulto consistente pode mudar a trajetória de uma vida — e convoca a comunidade a ocupar esse papel.
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