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Revista Brazilian Times # 86
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Setor de materiais de construção apoia Trump e pressiona Congresso por concorrência no mercado de cartões de crédito

Em nota, a American Building Materials Alliance (ABMA) afirmou que as tarifas se tornaram um dos principais fatores de pressão financeira sobre empresas familiares e independentes, que operam com margens médias de lucro de 5% ou menos, enquanto grandes operadoras de cartões reportam margens superiores a 50%.

Da redação

Entidades que representam distribuidores independentes de madeira e materiais de construção nos Estados Unidos intensificaram a pressão por mudanças no sistema de cartões de crédito após o presidente Donald Trump declarar apoio ao Credit Card Competition Act, proposta bipartidária que busca ampliar a concorrência em um mercado dominado pelas bandeiras Visa e Mastercard. Segundo o setor, o modelo atual tem impulsionado a alta das chamadas “swipe fees” — taxas cobradas a cada transação —, elevando custos para pequenos negócios e consumidores.

Em nota, a American Building Materials Alliance (ABMA) afirmou que as tarifas se tornaram um dos principais fatores de pressão financeira sobre empresas familiares e independentes, que operam com margens médias de lucro de 5% ou menos, enquanto grandes operadoras de cartões reportam margens superiores a 50%.

Dados apresentados pela ABMA indicam que as taxas de transação quase triplicaram na última década, passando de US$ 39,1 bilhões em 2014 para um recorde de US$ 187,2 bilhões em 2024. Apenas no último ano, houve um salto de US$ 172 bilhões para US$ 187,2 bilhões. A taxa média cobrada hoje gira em torno de 2,35% por operação, acima dos 2,02% registrados em 2010. O impacto, segundo estimativas do setor, chega ao consumidor final e custa cerca de US$ 1.200 por ano a uma família americana média, na forma de preços mais altos.

Empresas de diferentes estados relatam que as tarifas já figuram entre os maiores custos operacionais. Em Massachusetts, a Fairview Millwork afirma que as taxas de cartão se tornaram o terceiro maior gasto do negócio, influenciando decisões de preço, contratação e investimento. Em New Hampshire, a East Coast Lumber informou que as despesas com cartões superaram US$ 400 mil no último ano — valor que poderia dobrar caso mais clientes migrem para pagamentos eletrônicos.

Há também críticas à falta de transparência. Representantes de empresas familiares em Vermont e Nova York relatam que as regras de cobrança mudam com frequência e são praticamente impossíveis de contestar, uma consequência direta da concentração do mercado em duas grandes redes.

Em novembro de 2025, Visa e Mastercard anunciaram um acordo de US$ 38 bilhões para reduzir levemente e limitar temporariamente as taxas por cinco anos, baixando a média de 2,35% para 2,25%. Para a ABMA e outros varejistas, a medida é insuficiente.

“O acordo não resolve o problema estrutural. Uma redução marginal não corrige décadas de aumentos acima da inflação em um sistema onde as taxas são definidas de forma centralizada”, afirmou Rod Wiles, presidente da ABMA.

O projeto apoiado por Trump prevê que grandes instituições financeiras ofereçam pelo menos uma rede adicional e não afiliada para processar pagamentos em cartões, criando concorrência direta entre operadoras. A proposta mantém, segundo seus defensores, a segurança e a liberdade de escolha do consumidor, ao mesmo tempo em que pressiona por tarifas mais baixas.

Para a ABMA, o apoio presidencial representa um avanço, mas não encerra o debate. A entidade afirma que continuará atuando junto a parlamentares de ambos os partidos para ampliar a concorrência, reduzir custos e reequilibrar o sistema de pagamentos, considerado hoje um dos principais entraves à sobrevivência de pequenos negócios no varejo americano.

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