A detenção de Maher Tarabishi, de 62 anos, por agentes do Departamento de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês), resultou em uma tragédia familiar que reacende o debate sobre os limites da política imigratória norte-americana e suas consequências humanitárias.
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Pai é detido pelo ICE e filho com doença rara morre sem se despedir no Texas
A detenção de Maher Tarabishi, de 62 anos, por agentes do Departamento de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês), resultou em uma tragédia familiar que reacende o debate sobre os limites da política imigratória norte-americana e suas consequências humanitárias.
Tarabishi foi preso em outubro de 2025, no estado do Texas, logo após sair de uma verificação de rotina com autoridades de imigração — procedimento que ele cumpria regularmente há anos. Ele era o único cuidador de seu filho Wael Tarabishi, de 30 anos, cidadão norte-americano diagnosticado com doença de Pompe, uma condição genética rara e degenerativa que causa fraqueza muscular progressiva e exige cuidados constantes.
Sem o pai, de quem dependia integralmente para atividades básicas e acompanhamento médico, o estado de saúde de Wael se deteriorou rapidamente.
De acordo com familiares, após a detenção do pai, Wael sofreu sucessivas complicações médicas, incluindo infecções graves, e precisou ser internado diversas vezes. Em 23 de janeiro de 2026, ele morreu em um hospital do Texas, sem conseguir se despedir do pai, que seguia detido sob custódia federal.
Maher Tarabishi vive nos Estados Unidos há décadas, não possui antecedentes criminais, sempre pagou impostos e compareceu fielmente a todos os compromissos exigidos pelo sistema de imigração. Ainda assim, foi mantido preso, mesmo diante dos apelos da família e de organizações de defesa dos direitos humanos, que solicitaram sua liberação por razões humanitárias.
Em nota, o ICE afirmou anteriormente que Maher teria supostas ligações passadas com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), alegação que a família nega veementemente e classifica como infundada. Segundo os parentes, essa acusação tem sido usada para justificar a recusa em conceder liberdade temporária ou humanitária.
Agora, após a morte de Wael, familiares e ativistas pedem que Maher Tarabishi seja libertado ao menos para velar e enterrar o filho, além de poder viver o luto junto aos parentes. O caso tem gerado forte repercussão na imprensa local e nacional, sendo citado como exemplo de como políticas migratórias rígidas podem produzir impactos irreversíveis sobre famílias vulneráveis.
Especialistas em direitos civis afirmam que a legislação americana prevê alternativas à detenção em situações humanitárias extremas, especialmente quando não há histórico criminal e quando terceiros dependem diretamente do imigrante detido. Ainda assim, tais mecanismos são aplicados de forma desigual, segundo organizações de monitoramento.
A história de Maher e Wael Tarabishi expõe, mais uma vez, o choque entre a aplicação estrita das leis migratórias e o princípio da dignidade humana — um debate que permanece no centro das discussões sobre imigração nos Estados Unidos.
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