Alex Padilla afirma que foi barrado ao tentar fiscalizar unidade de Otay Mesa em meio a denúncias de superlotação, falta de atendimento médico e aumento recorde de mortes sob custódia migratória
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Senador é impedido de inspecionar centro de detenção na Califórnia e denuncia falta de transparência do ICE
Da redação
O senador norte-americano Alex Padilla (Democrata–Califórnia) afirmou ter sido impedido de entrar no Centro de Detenção de Otay Mesa, em San Diego, ao tentar realizar uma visita de fiscalização parlamentar. Segundo o gabinete do senador, agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE) negaram o acesso à instalação, administrada pela empresa privada CoreCivic, enquanto o parlamentar exercia seu papel constitucional de supervisão.
A visita ocorreu em meio a denúncias de condições consideradas desumanas dentro da unidade, incluindo superlotação, alimentação inadequada, surtos de doenças e atendimento médico insuficiente. De acordo com a assessoria de Padilla, ele não comunicou previamente a visita à administração do centro, o que teria sido usado como justificativa para a negativa de entrada. O diretor da unidade também teria se recusado a se reunir com o senador.
Relatórios citados pelo gabinete do parlamentar indicam que a instalação opera acima de sua capacidade contratual. Entre 1º de outubro e 10 de novembro do ano passado, o centro manteve média de 1.456 pessoas sob custódia — cerca de 100 a mais do que o limite previsto de 1.358 vagas.
Segundo Padilla, o ICE também teria se recusado a fornecer informações básicas, como o número atualizado de detidos, sem autorização da sede nacional da agência. Atualmente, o total de imigrantes sob custódia migratória ultrapassa 66,5 mil pessoas — número que chegou a 73 mil no início do ano, o maior já registrado na história dos Estados Unidos.
Organizações comunitárias da região afirmam que pessoas detidas têm lançado bilhetes manuscritos para fora da instalação, presos a frascos de produtos de higiene, relatando falta de alimentos saudáveis, grandes salas de retenção sem portas ou janelas, disseminação de doenças e ausência de cuidados médicos adequados. Uma coalizão de sete grupos realiza vigílias semanais há cerca de 15 semanas em frente ao centro para denunciar a situação.
Confronto com o governo federal
Em declaração após a tentativa frustrada de inspeção, Padilla criticou o governo do presidente Donald Trump e questionou a transparência da política migratória atual.
“Se as pessoas em Otay Mesa estão realmente ‘bem cuidadas’, como afirmou a secretária Noem, então o que esta administração tem a esconder?”, declarou o senador, referindo-se à secretária do Departamento de Segurança Interna (DHS), Kristi Noem.
A unidade de Otay Mesa não é inspecionada pelo Escritório do Inspetor-Geral do Department of Homeland Security desde 2021. Na última avaliação, foram identificadas falhas nos sistemas de queixas, na comunicação entre funcionários e detidos e nas práticas de segregação.
Autoridades locais também relatam barreiras
No dia 9 de fevereiro, o departamento de saúde pública do condado de San Diego anunciou investigação sobre possíveis violações sanitárias e de segurança na unidade, enviando notificação formal à administração do centro. De acordo com o gabinete do senador, autoridades do condado também tiveram acesso negado nesta semana.
O deputado federal Juan Vargas, cujo distrito inclui a área de Otay Mesa, já havia tentado inspecionar a instalação anteriormente, sem sucesso.
Crescimento das mortes sob custódia
A controvérsia ocorre em um momento de aumento significativo nas mortes registradas em centros de detenção migratória. Em 2025, 32 pessoas morreram sob custódia do ICE — o ano mais letal desde 2005. Neste ano, ao menos oito mortes já foram confirmadas.
Na semana passada, Padilla se uniu ao senador Dick Durbin e a outros 20 parlamentares democratas para alertar formalmente sobre o crescimento dessas ocorrências desde o início da atual administração.
O senador também tem defendido mudanças estruturais no sistema migratório. Em janeiro, apresentou com o senador Cory Booker um projeto para proibir centros privados com fins lucrativos e ampliar garantias de devido processo legal para detidos. No mês passado, ele e o senador Adam Schiff realizaram visita de fiscalização a outro grande centro de detenção na Califórnia, onde investigaram denúncias de condições insalubres, acesso limitado a advogados e uso excessivo de confinamento solitário. Posteriormente, um juiz federal determinou melhorias no acesso à saúde e à assistência jurídica naquela unidade.
Debate sobre transparência e direitos humanos
A negativa de acesso ao senador reacende o debate nacional sobre transparência, fiscalização parlamentar e respeito aos direitos humanos no sistema de detenção migratória dos Estados Unidos. Para críticos da atual política, o crescimento histórico do número de detidos e das mortes sob custódia exige maior supervisão independente. Já defensores das medidas argumentam que o endurecimento das ações é necessário para reforçar o controle das fronteiras.
Enquanto a controvérsia se intensifica, o episódio em Otay Mesa coloca novamente no centro da discussão pública o equilíbrio entre segurança nacional, responsabilidade institucional e direitos fundamentais de pessoas sob custódia do Estado.
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