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Revista Brazilian Times # 83
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Mães atípicas brasileiras no exterior destacam a importância da inclusão no Dia Mundial de Conscientização do Autismo

Vanessa Caetano Salmeron 

A jornada do autismo começa de forma diferente para cada família, mas quase sempre é marcada por dúvidas, aprendizado e uma transformação profunda na forma de enxergar a vida.

Minha história com o autismo começou em agosto de 2010, quando meu filho Nielson Lucas Caetano Salmeron foi diagnosticado dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Naquele momento, meu mundo pareceu desabar. Eu e o pai dele éramos completamente ignorantes sobre o que era o autismo e quais seriam os caminhos a seguir.

Passei pelo que muitos pais chamam de “luto do autismo” — uma fase cheia de perguntas, dúvidas e sentimentos difíceis. Foi quando decidi buscar informação. Pesquisei, estudei e comecei a entender que viver o autismo é realmente entrar em um mundo diferente.

Ao longo dos anos, meu filho respondeu muito bem às intervenções realizadas, incluindo terapias e mudanças na alimentação. Eu não sou médica nem nutricionista. Sou apenas uma mãe que buscou, dentro das possibilidades, melhorar a qualidade de vida do filho. Fácil não é, mas também não é impossível.

Hoje, Nielson tem 21 anos. Ele se formou no High School em 2023 e atualmente estuda Ciência da Computação no Valencia College, na Flórida.

Ao longo dessa caminhada, conheci muitas outras mães brasileiras que vivem no exterior e que compartilham experiências semelhantes na maternidade atípica.

A empresária e diretora artística do Spirit of Samba, Michelle Bailey, mãe de Gabriel Bailey, de 12 anos, descreve a maternidade atípica como um aprendizado diário.

“Aprendi a trocar a cobrança pela gratidão. Nos dias difíceis, eu não olho para o que falta, eu celebro todas as conquistas, mesmo as mais simples.”

A empresária e corretora de imóveis nos Estados Unidos e em Dubai, Luciana Eliseu, mãe de Victor Eliseu, de 18 anos, e Diego Eliseu, de 21 anos, também compartilha a força dessa experiência.

“Minha jornada não é comum — é extraordinária. Onde muitos veem limites, eu construo força, propósito e um amor que não conhece desistência.”

Outra mãe que encontrou no autismo um propósito de vida é Roseli Pereira, empresária, proprietária da Ideal Care Insurance e cofundadora da Holding Ideal Trends, mãe de quatro filhos e de Paulo Henrique, de 11 anos.

“O autismo não limitou minha vida, ele revelou meu propósito: cuidar de famílias, orientar caminhos e gerar esperança.”

Essas experiências mostram que o autismo está presente em todos os lugares — inclusive entre famílias brasileiras que vivem no exterior — e que informação, acolhimento e inclusão são essenciais para que crianças, jovens e adultos dentro do espectro possam desenvolver todo o seu potencial.

Segundo dados do CDC (Centers for Disease Control and Prevention), atualmente 1 em cada 31 crianças de 8 anos nos Estados Unidos é diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista, o que representa cerca de 3,2% da população infantil nessa faixa etária. O número vem crescendo ao longo das últimas décadas: em 2020 era 1 em 36, e em 2016 era 1 em 54.

Os dados mostram que o autismo não é uma realidade isolada. Ele faz parte da vida de milhões de famílias e reforça a importância de políticas públicas, inclusão educacional, acesso a terapias e oportunidades na vida adulta.

No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, o principal convite à sociedade é claro: informar, respeitar e incluir.

Porque o autismo não desaparece com o tempo — ele acompanha a pessoa por toda a vida. E a verdadeira inclusão acontece quando crianças, adolescentes e adultos dentro do espectro encontram espaço para aprender, trabalhar, conviver e construir suas próprias histórias.

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