Ele está detido na unidade de Moore Haven, no estado da Flórida, localizada a cerca de 180 quilômetros ao norte de Miami.
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Empresário brasileiro suspeito de financiar atos de 8 de janeiro é preso pelo ICE nos Estados Unidos
Da redação
O empresário Esdras Jônatas dos Santos, apontado como um dos suspeitos de financiar e incentivar os atos golpistas de 8 de janeiro no Brasil, foi preso nos Estados Unidos pelo ICE (Immigration and Customs Enforcement). A informação consta em documentos oficiais do órgão obtidos pelo UOL.
Ele está detido na unidade de Moore Haven, no estado da Flórida, localizada a cerca de 180 quilômetros ao norte de Miami. Contra Jônatas, há um mandado de prisão em aberto no Brasil, além de uma série de medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como bloqueio de contas bancárias, cancelamento de passaportes e proibição de uso de redes sociais.
Segundo investigações da Polícia Federal, o empresário deixou o país após os ataques em Brasília, acompanhado de Kathy Le Thi Thanh My dos Santos. Ambos são investigados por crimes como incitação ao crime, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado.
Embora não tenham participado diretamente dos atos na capital federal, as autoridades apontam que Jônatas teve papel relevante na mobilização. De acordo com o inquérito, ele acompanhou, ainda em Belo Horizonte, a saída de ao menos um ônibus com manifestantes rumo a Brasília. Dois dias após os ataques, na madrugada de 10 de janeiro, o casal embarcou para os Estados Unidos com passagens só de ida adquiridas poucas horas antes — circunstância que, segundo a Polícia Federal, caracteriza fuga. O empresário nega essa versão.
Em sua defesa, Jônatas afirma que entrou em um dos ônibus apenas para “orar” pelas pessoas que seguiriam viagem e que não tinha conhecimento de qualquer plano de invasão às sedes dos Três Poderes. “Jamais imaginaria que pessoas iam para Brasília para entrar dentro do Palácio”, declarou.
As investigações também indicam que ele teria atuado como um dos principais líderes do acampamento montado em frente ao 4º Comando do Exército, em Belo Horizonte. Segundo a Polícia Federal, o empresário comparecia ao local em um veículo de luxo, um Porsche, e gravava vídeos incentivando apoiadores a participar das manifestações.
Além do caso relacionado aos atos de 8 de janeiro, Jônatas também foi alvo de investigação da Polícia Civil de Minas Gerais em 2022 por suspeitas de roubo, lesão corporal e dano patrimonial. O processo corre sob sigilo e ainda não foi concluído. O empresário nega as acusações.
Mesmo foragido, ele manteve atividade recente nas redes sociais. Em uma de suas últimas publicações, feitas há poucos dias, manifestou apoio ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, que também se encontra nos Estados Unidos.
Sem acesso a recursos financeiros, devido às restrições judiciais, Jônatas teria tentado vender o Porsche, avaliado em cerca de R$ 400 mil, como forma de se manter no exterior.
A prisão do empresário abre caminho para possíveis desdobramentos jurídicos, incluindo eventual processo de deportação, enquanto as investigações sobre sua participação nos atos de 8 de janeiro seguem em andamento no Brasil.
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