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Revista Brazilian Times # 84
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Ação do ICE gera alerta e pânico na comunidade brasileira de Charlotte

Cancelamento de Cultos: O medo afetou diretamente as atividades religiosas.


Uma operação de fiscalização imigratória surpresa, conduzida pela Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos no último fim de semana, paralisou a vida da comunidade brasileira em Charlotte e região metropolitana, no estado da Carolina do Norte, uma região historicamente conhecida como um local seguro para imigrantes.

A ação, que teve início no sábado, 15 de novembro, resultou na detenção de dezenas de pessoas, incluindo três brasileiros, e desencadeou uma onda de medo e mudanças drásticas na rotina local.

O início da operação surpresa, denominada “Charlotte’s Web” pelas autoridades federais, transformou o sábado (15) em um dia de tensão. Relatos da Mutual Embrace Latino Voices, uma organização de apoio a latinos e brasileiros, indicam que pelo menos 81 pessoas foram detidas no primeiro dia.

O pânico foi generalizado, levando ao esvaziamento de ruas, à evasão de supermercados e ao cancelamento de atividades comunitárias.

De acordo com relatos nas redes sociais, grande parte dos brasileiros ficou dentro de casa, “escondida dos agentes” que invadiram “supermercados, lojas e até igrejas”.

A crise levou a comunidade a adotar medidas de autoproteção. Vídeos e mensagens de áudio em grupos de WhatsApp tornaram-se o principal mecanismo de segurança, funcionando como um sistema de alerta em tempo real para indicar as áreas onde os agentes estavam realizando prisões.

Cancelamento de Cultos: O medo afetou diretamente as atividades religiosas. Diversas congregações, incluindo a Lagoinha Charlotte, frequentada por brasileiros, decidiram suspender cultos no sábado (15) e domingo (16) devido à circulação de agentes nas proximidades.

Cenas de Pânico: O temor foi visível. Em uma igreja latina de East Charlotte, fiéis foram filmados correndo para uma área de mata ao avistar viaturas da Patrulha de Fronteira se aproximando.

 

Preocupações com deportação e falta de informação

O principal receio entre os indocumentados é a deportação imediata. Mensagens que circulam nos grupos comunitários indicam uma possível diferença de tratamento, com imigrantes que cruzaram a fronteira pelo México correndo o risco de serem deportados sem direito a fiança, enquanto outros precisariam pagar fianças elevadas, chegando a US$ 30 mil.

A falta de informação oficial agrava a incerteza. Embora documentos compartilhados sugiram que a operação possa ter uma duração de cerca de dez dias, a Patrulha de Fronteira não forneceu detalhes sobre o escopo ou prazo da ação, mantendo os residentes em um estado de apreensão e exigindo uma reestruturação de suas vidas diárias.

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