O bispo Alberto Rojas, líder de mais de 1,5 milhão de católicos no sul da Califórnia, anunciou nesta quarta-feira (09) a suspensão da obrigatoriedade de comparecimento às missas dominicais e dias santos para fiéis da Diocese de San Bernardino. A decisão foi tomada após ações recentes de agentes federais de imigração em propriedades de duas paróquias locais, o que gerou pânico entre imigrantes indocumentados.
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Bispo na Califórnia suspende obrigação de ir à missa por medo de imigração
O bispo Alberto Rojas, líder de mais de 1,5 milhão de católicos no sul da Califórnia, anunciou nesta quarta-feira (09) a suspensão da obrigatoriedade de comparecimento às missas dominicais e dias santos para fiéis da Diocese de San Bernardino. A decisão foi tomada após ações recentes de agentes federais de imigração em propriedades de duas paróquias locais, o que gerou pânico entre imigrantes indocumentados.
“Há um medo real que tomou conta de muitas de nossas comunidades paroquiais. As pessoas temem que, ao saírem para qualquer atividade pública, possam ser presas por agentes de imigração”, declarou o bispo Rojas. “Infelizmente, isso inclui até mesmo a ida à missa.”
A medida, chamada de dispensa canônica, normalmente é reservada para situações extraordinárias, como no auge da pandemia de COVID-19. No entanto, segundo Rojas, a atual onda de prisões imigratórias justifica a decisão pastoral. Ele reforçou que a Igreja está ao lado das comunidades imigrantes neste momento de insegurança.
Natural de Aguascalientes, no México, Rojas é imigrante e defensor de longa data dos direitos dos imigrantes. Desde que assumiu o comando da diocese em 2020, afirmou que essa seria uma de suas prioridades.
No início de junho, a administração do presidente Donald Trump intensificou operações de imigração no sul da Califórnia, com centenas de prisões em locais públicos e locais de trabalho, especialmente na região de Los Angeles. Em meio a protestos e à presença da Guarda Nacional, agentes federais também foram acusados de entrar em igrejas católicas da diocese e prender pessoas em propriedades paroquiais — ação condenada por Rojas.
“Isso não está em sintonia com o Evangelho de Jesus Cristo, que guia todas as nossas ações”, disse o bispo. “Peço que os líderes políticos reconsiderem essas táticas e priorizem uma abordagem que respeite os direitos humanos e a dignidade.”
A Diocese de San Bernardino, criada em 1978, cobre os condados de Riverside e San Bernardino, onde mais de 50% da população é latina, segundo o Censo de 2020. A diocese é a quinta maior dos Estados Unidos e a segunda maior da Califórnia, atrás apenas da Arquidiocese de Los Angeles.
Rojas enfatizou que muitos dos fiéis impactados pelas ações migratórias são contribuintes ativos da sociedade, cujo único “erro” é estarem sem documentos. “Eles estão aqui porque precisavam salvar suas famílias. Querem se legalizar, mas quem os ajuda?”, questionou.
O bispo explicou que, com a crescente ansiedade e medo nas comunidades, quis aliviar o peso espiritual de não poder cumprir a obrigação dominical. “Sei que eles estariam na igreja, se não fosse pelo risco à segurança e à união de suas famílias.”
A decisão foi elogiada por líderes religiosos e comunitários. O pastor Omar Coronado, da organização Inland Congregations United for Change, classificou o gesto como “um ato extraordinário de coragem moral e cuidado pastoral”. “A voz do bispo não oferece apenas proteção, mas esperança. Ele nos lembra que a fé deve estar ao lado dos vulneráveis.”
Outras dioceses da Califórnia não adotaram a mesma medida. A Diocese de Orange, que atende cerca de 1,3 milhão de católicos, tem orientado padres a celebrar missas em casas de fiéis com medo de sair. Já a Arquidiocese de Los Angeles, maior do país com cerca de 5 milhões de membros, afirma estar fornecendo apoio pastoral às famílias afetadas e promovendo ações de assistência jurídica e espiritual.
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