O caso segue em andamento e pode ter novos desdobramentos tanto na Justiça quanto no campo político, à medida que novas informações vêm à tona.
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Brasileira deportada após 23 anos nos EUA acusa aliado de Trump de interferência no ICE
A deportação da brasileira Amanda Ungaro, após mais de duas décadas vivendo nos Estados Unidos, ganhou novos contornos e repercussão internacional ao envolver acusações de influência política, disputas familiares e possíveis interferências no sistema migratório norte-americano. O caso veio à tona após reportagem do The New York Times, que reforçou alegações feitas pela ex-modelo em entrevista anterior.
Amanda, de 41 anos, foi deportada em outubro de 2025 após ser detida por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE). Segundo seu relato, a abordagem ocorreu de forma abrupta, ainda de madrugada, quando policiais entraram em sua residência, a algemaram junto ao atual marido e os conduziram sob custódia diante do filho adolescente.
A brasileira atribui sua prisão e posterior deportação à atuação de seu ex-companheiro, o empresário italiano Paolo Zampolli, figura próxima ao presidente Donald Trump e atual enviado especial do governo norte-americano para parcerias globais. De acordo com a investigação do New York Times, Zampolli teria procurado um alto funcionário da imigração para garantir que Amanda fosse mantida detida antes de eventual liberação sob fiança, em meio à disputa judicial pela guarda do filho do casal, Giovanni, de 15 anos.
Disputa familiar e influência política
O caso se desenvolve em um cenário delicado que mistura questões migratórias com uma intensa batalha judicial pela guarda do adolescente. Segundo Amanda, a ofensiva teria ocorrido pouco antes de uma ação judicial relacionada à pensão e à guarda do filho, o que, em sua avaliação, reforça a suspeita de interferência indevida.
Zampolli, por sua vez, nega qualquer irregularidade. Em declarações à imprensa, classificou as acusações como “absurdas” e afirmou que sempre buscou o melhor interesse da família. Ele também sustentou que as investigações envolvendo Amanda e seu atual marido — relacionadas a denúncias sobre o funcionamento irregular de uma clínica médica na Flórida — já estavam em andamento antes da prisão.
Versões divergentes sobre a deportação
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos afirmou, em nota, que a deportação ocorreu dentro dos parâmetros legais, citando o vencimento do visto de Amanda e acusações de fraude. O órgão negou qualquer motivação política ou influência externa no processo.
Amanda contesta essa versão. Ela afirma que seu status migratório estava em processo de regularização, já que é casada com um residente permanente — condição que poderia garantir sua permanência no país. Documentos apresentados por sua defesa indicariam que a situação estava “em transição” no momento da detenção.
Reviravoltas na guarda do filho
Após retornar ao Brasil, Amanda conseguiu autorização judicial para que o filho também deixasse os Estados Unidos e passasse a viver com ela. No entanto, semanas depois, o adolescente voltou ao território norte-americano — episódio que gerou novas controvérsias.
A brasileira chegou a registrar uma denúncia de sequestro, alegando que o ex-companheiro teria retirado o filho de sua guarda de forma irregular. Zampolli, por outro lado, apresentou uma versão diferente, afirmando que o próprio jovem teria decidido retornar aos Estados Unidos por vontade própria.
Relações com o poder e histórico controverso
A repercussão do caso também está ligada ao perfil de Paolo Zampolli, que mantém proximidade com figuras influentes do cenário político e empresarial dos Estados Unidos, incluindo o presidente Donald Trump. Ao longo dos anos, o empresário construiu uma rede de contatos que inclui líderes internacionais, empresários e celebridades.
Relatos indicam que Zampolli já frequentou eventos exclusivos ao lado de Trump e integrou círculos de alto nível em Washington e Nova York. Sua atuação como enviado especial reforça sua posição estratégica dentro do atual governo.
Debate sobre o sistema imigratório
O caso de Amanda Ungaro levanta questionamentos sobre a possibilidade de interferência política em processos migratórios e evidencia a complexidade de situações que envolvem imigração, poder e disputas familiares internacionais.
Enquanto autoridades americanas sustentam que a deportação seguiu critérios legais, a versão apresentada pela brasileira e os indícios apontados por investigações jornalísticas ampliam o debate sobre transparência e imparcialidade no sistema de imigração dos Estados Unidos.
Amanda afirma que seguirá buscando meios legais para reverter a situação e recuperar a guarda do filho. “Continuarei lutando”, declarou, ao reforçar que considera ter sido vítima de uma articulação que ultrapassa os limites de uma disputa familiar.
O caso segue em andamento e pode ter novos desdobramentos tanto na Justiça quanto no campo político, à medida que novas informações vêm à tona.




