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Revista Brazilian Times # 83
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Brasileira diz ter vivido “pesadelo” sob custódia do ICE e atribui caso a influência de ex-companheiro ligado a Trump

Até o momento, não há confirmação pública de irregularidade oficial no processo de deportação, o que torna essencial separar fatos documentados de acusações ainda não comprovadas.


A brasileira Amanda Ungaro, de 41 anos, afirma ter vivido um “pesadelo” após ser detida pelo Departamento de Imigração dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês) e deportada para o Brasil em outubro de 2025. Em entrevista publicada pelo jornal El País, ela relatou ter passado cerca de três meses sob custódia migratória e disse acreditar que sua prisão e posterior remoção do país foram influenciadas por Paolo Zampolli, ex-companheiro, pai de seu filho e aliado de longa data do presidente Donald Trump.

O caso ganhou repercussão internacional por reunir imigração, disputa familiar e conexões políticas. Zampolli, empresário ítalo-americano que ficou conhecido por apresentar Melania a Donald Trump nos anos 1990, atualmente ocupa o cargo de enviado especial para parcerias globais na administração Trump. Segundo reportagem repercutida pela revista People com base em uma apuração do The New York Times, ele telefonou para o alto funcionário do ICE David Venturella depois que Amanda foi presa em Miami. Zampolli confirma que fez a ligação, mas nega ter pedido que a brasileira fosse detida ou deportada.

De acordo com a reportagem, Amanda e Zampolli travam uma disputa pela guarda do filho adolescente. Amanda sustenta que foi alvo de uma manobra para enfraquecê-la no processo de custódia. Já Zampolli afirma que apenas buscou entender quais seriam as consequências legais da prisão da ex-companheira. O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos negou motivação política no caso e declarou que “qualquer sugestão de que ela foi presa e removida por razões políticas ou favores é falsa”.

Antes da ação migratória, Amanda havia sido presa na Flórida em um caso ligado a acusações de fraude envolvendo uma clínica estética em Miami, acusações que ela nega. Reportagens publicadas nos últimos dias apontam que sua situação migratória também era irregular, fator que contribuiu para o processo que terminou na deportação.

A história também chama atenção pelo passado de Amanda nos círculos diplomáticos e sociais de Nova York. Documentos das Nações Unidas registram Amanda Ungaro como representante de Granada em missões ligadas à ONU, enquanto o El País a descreve como ex-modelo brasileira e ex-embaixadora nas Nações Unidas. A mesma reportagem relata que ela frequentou eventos em Mar-a-Lago e outras ocasiões sociais ao lado de Zampolli e da família Trump durante os anos em que viveram juntos.

Hoje no Rio de Janeiro, Amanda tenta reconstruir a vida enquanto segue na disputa judicial relacionada ao filho. O caso permanece cercado por versões conflitantes: de um lado, a brasileira afirma ter sido vítima de abuso de poder e perseguição pessoal; de outro, Zampolli e o governo americano negam interferência indevida. Até o momento, não há confirmação pública de irregularidade oficial no processo de deportação, o que torna essencial separar fatos documentados de acusações ainda não comprovadas.

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