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Revista Brazilian Times # 86
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Brasileira é condenada na Irlanda por integrar rede de prostituição que explorava jovens imigrantes

Segundo o tribunal, Bruna chegou à Irlanda em julho de 2024 com visto de estudante e, além de atuar como profissional do sexo, passou a exercer funções administrativas dentro da organização.

Da Redação

A brasileira Bruna da Silveira, de 26 anos, foi condenada pela Justiça da Irlanda por participação em uma organização criminosa responsável por administrar uma rede de bordéis em Dublin. A investigação, conduzida pela polícia irlandesa (Garda) com apoio da Europol, Interpol e autoridades brasileiras, revelou um esquema que explorava dezenas de jovens brasileiras em condições consideradas degradantes.

Segundo o tribunal, Bruna chegou à Irlanda em julho de 2024 com visto de estudante e, além de atuar como profissional do sexo, passou a exercer funções administrativas dentro da organização. Entre suas atribuições estavam o gerenciamento dos pagamentos feitos por clientes, a administração de contas bancárias, o aluguel de imóveis utilizados como bordéis e o pagamento de despesas, como contas de energia elétrica.

As investigações identificaram cerca de 30 mulheres brasileiras, muitas delas entre o fim da adolescência e o início dos 20 anos, que trabalhavam como acompanhantes na capital irlandesa. Os imóveis utilizados pelo grupo eram alugados temporariamente por meio de plataformas como Airbnb e Booking.com.

A polícia também descobriu que aproximadamente € 737 mil, provenientes da atividade de prostituição, passaram por três contas bancárias em nome de Bruna entre 2024 e 2025. De acordo com a acusação, parte desse dinheiro era transferida para outras contas na Irlanda e no Brasil, sendo utilizada, inclusive, para a compra de bens em território brasileiro.

Durante o processo, uma das mulheres exploradas pela organização relatou que trabalhava até 15 horas por dia durante a semana e 16 horas nos fins de semana, tendo apenas um dia de folga por mês. Ela afirmou ainda que recebia apenas metade do valor pago pelos clientes e precisava arcar com o aluguel do imóvel onde era obrigada a trabalhar.

Ao proferir a sentença, a juíza afirmou que a quadrilha explorava mulheres jovens e vulneráveis, submetendo-as a condições de trabalho que classificou como “terríveis”. Segundo a magistrada, o grupo lucrava com a vulnerabilidade econômica das vítimas e mantinha uma estrutura organizada para administrar os bordéis.

A investigação também apontou que Bruna mantinha um relacionamento com o homem identificado como líder da organização criminosa.

Durante o julgamento, a brasileira admitiu sua participação no esquema, colaborou com as autoridades após ser presa e não possuía antecedentes criminais. A defesa argumentou que ela também era uma pessoa vulnerável, oriunda de uma família extremamente pobre no Brasil, e que teria sido influenciada e controlada pelo líder da organização. Os advogados destacaram ainda que parte do dinheiro movimentado era enviada para ajudar seus familiares no Brasil.

Inicialmente, a Justiça fixou a pena em cinco anos de prisão, mas reduziu a condenação para três anos e seis meses em razão da confissão, da colaboração com a investigação e da ausência de antecedentes criminais. Os últimos seis meses da pena foram suspensos, desde que Bruna cumpra as condições impostas pelo tribunal.

O caso chama a atenção para a atuação de organizações criminosas que recrutam mulheres brasileiras para trabalhar na Europa e reforça os desafios enfrentados pelas autoridades internacionais no combate ao tráfico de pessoas, à exploração sexual e à lavagem de dinheiro.

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