A pequena filha de 3 anos apresenta “terrores noturnos” e acorda gritando, segundo Celedon.
Publicidade
Publicidade
Brasileira é presa pelo ICE na frente das filhas em Massachusetts e transferida a 2.400 km da família
Tatiane de Jesus Santos, uma mãe brasileira de 34 anos e imigrante indocumentada, foi detida por agentes federais de imigração em Milford (Massachusetts) no dia 29 de julho enquanto dirigia com suas filhas de 3 e 9 anos. Desde então, ela foi transferida para um centro de detenção a mais de 1.500 milhas de distância, longe de sua família.
De acordo com seu marido, Wediney Gomes de Santana, e sua advogada, Eloa Celedon, não está claro o motivo exato da detenção, pois Tatiane não possui antecedentes criminais. “Ela chorava e pedia desesperadamente: ‘Por favor, não me levem, eu tenho minhas filhas’”, relatou Celedon. “As meninas também gritavam, pois estavam presenciando a mãe ser levada — e, na minha opinião, sequestrada, já que não havia um mandado.”
O Departamento de Segurança Interna (DHS, sigla em inglês) informou que Tatiane foi detida por estar fora do status legal, já que entrou nos Estados Unidos com um visto válido por seis meses e permaneceu no país por seis anos. Segundo o marido, o casal imigrou para este país em 2018, inicialmente para Orlando, Flórida, e depois para Massachusetts.
A porta-voz do DHS ressaltou que Tatiane está em processo de remoção. “O presidente Trump e a secretária Kristi Noem estão comprometidos em restaurar a integridade do programa de vistos e garantir que não seja abusado para permitir que estrangeiros permaneçam permanentemente nos EUA”, afirmou a assistente-secretária Tricia McLaughlin, em comunicado.
Apesar da política inicial da administração Trump de focar na detenção e deportação de imigrantes com antecedentes criminais, dados mostram que pouco mais da metade das quase 60 mil pessoas atualmente detidas pelo Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) possuem processos ou condenações criminais.
Wediney relatou à imprensa, por meio de intérprete, que após a prisão de sua esposa, um agente do ICE o contatou pelo telefone da filha para pedir que buscasse o carro e as crianças. Porém, ele temia sair, pois havia sido detido recentemente pelo ICE por mais de duas semanas.
Segundo ele, os agentes levaram o carro para sua casa e entraram para deixar as meninas quando ele não saiu. O brasileiro disse ter pedido aos agentes: “Podem me levar e deixar a mãe com nossas filhas? Podem me levar e deixar elas com a mãe.” A resposta teria sido: “Não, você já foi. Agora é a vez dela. Viemos para levá-la — não você. Cuide das suas filhas.”
Durante essa troca, Tatiane estava dentro da casa, algemada, antes de ser levada para processamento em Burlington (MA) e depois transferida para um centro do ICE em New Jersey. Recentemente, ela foi movida para o Centro de Processamento do Sul da Louisiana.
O marido conta que a esposa tem sofrido muitos ataques de pânico e que ele tem falado com ela à noite para acalmá-la, a pedido da equipe do centro de detenção. A família espera que Tatiane consiga a liberdade provisória enquanto seu caso de imigração é analisado. Sua advogada está trabalhando para refazer os documentos legais e agendar uma audiência de fiança.
A pequena filha de 3 anos apresenta “terrores noturnos” e acorda gritando, segundo Celedon.
“Minha esposa é uma pessoa maravilhosa, uma super mãe que cuida de tudo em casa”, afirmou o brasileiro, lamentando a difícil situação enfrentada pela família sem a presença de Tatiane.
Publicidade




