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Revista Brazilian Times # 84
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Brasileiro pode pegar até 5 anos de prisão por esquema de fraude em carteiras de motorista em Massachusetts

O caso é tratado pelas autoridades como um exemplo de fraude estruturada que compromete a integridade de sistemas públicos e levanta preocupações sobre segurança e controle de identificação nos Estados Unidos.


Um esquema interestadual altamente organizado revelou como criminosos conseguiram driblar sistemas de controle nos Estados Unidos para emitir carteiras de motorista de forma ilegal. No centro da investigação está o brasileiro Gabriel Nascimento De Andrade, de 27 anos, que já se declarou culpado e agora aguarda sentença, podendo enfrentar até cinco anos de prisão.

De acordo com autoridades federais, o grupo operava com um modelo estruturado que explorava brechas legais entre estados e utilizava tecnologia e falsificação documental para garantir a aprovação dos candidatos.

O primeiro passo era atrair clientes — muitos deles imigrantes que não atendiam aos requisitos legais — oferecendo a obtenção de carteira de motorista mediante pagamento. Os valores variavam, e os serviços incluíam todo o processo, do início ao fim.

Antes de 2023, quando Massachusetts ainda não permitia a emissão de licenças para indocumentados, os envolvidos direcionavam os clientes para Nova York. Apesar de o estado permitir esse tipo de documento, era obrigatório comprovar residência local — exigência que era fraudada.

Para isso, o grupo fornecia documentos falsificados, como contas de serviços e comprovantes de endereço, simulando que os clientes viviam em Nova York. Em seguida, organizava toda a logística para que eles comparecessem aos órgãos oficiais.

Um dos pontos mais sofisticados do esquema estava na fraude dos exames teóricos. Como o teste online exigia verificação por webcam, os criminosos pediam aos clientes que enviassem fotos previamente encenadas, como se estivessem realizando a prova. Depois, membros da quadrilha faziam o exame no lugar do candidato e utilizavam essas imagens para enganar o sistema de autenticação.

Além disso, certificados obrigatórios de cursos de direção eram falsificados, com assinaturas de autoescolas adulteradas. Com toda a documentação pronta, os candidatos eram levados até unidades do Departamento de Veículos Motorizados (DMV), onde apresentavam os documentos fraudulentos.

Após a emissão, as permissões eram enviadas para endereços controlados pela organização, que posteriormente repassava os documentos aos clientes. O grupo também agendava e acompanhava os testes práticos, garantindo a conclusão de todo o processo.

Com a mudança na lei de Massachusetts em 2023, o esquema foi adaptado. A partir de então, os criminosos passaram a emitir carteiras no próprio estado para pessoas que não residiam ali, utilizando o mesmo método de falsificação de comprovantes de endereço. Em um dos casos citados, o brasileiro recebeu US$ 450 em dinheiro em troca de um documento falso.

As autoridades estimam que mais de 1.000 pessoas participaram do esquema, com pelo menos 600 carteiras emitidas ilegalmente. O grupo teria movimentado centenas de milhares de dólares ao longo de quase quatro anos de atuação.

Gabriel Nascimento De Andrade se declarou culpado por conspiração para produção e posse ilegal de documentos de identificação. O crime prevê: Até 5 anos de prisão; Até 3 anos de liberdade supervisionada; e multa que pode chegar a US$ 250 mil

Após cumprir a pena, ele ainda deverá ser submetido a processo de deportação.

O caso é tratado pelas autoridades como um exemplo de fraude estruturada que compromete a integridade de sistemas públicos e levanta preocupações sobre segurança e controle de identificação nos Estados Unidos.

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