Quase oito meses após a morte de Christine Banfield e de um homem que havia sido atraído à residência da família, a polícia voltou à casa dos Banfield, na Virgínia, em busca de novos elementos. No quarto onde Christine foi brutalmente esfaqueada, investigadores encontraram um detalhe que se tornaria simbólico para a acusação: uma foto emoldurada de Brendan Banfield sorrindo ao lado de outra mulher — a au pair da família, segundo registros judiciais.
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Começa julgamento de suspeito de homicídio que envolve brasileira em triângulo amoroso na Virgínia
Quase oito meses após a morte de Christine Banfield e de um homem que havia sido atraído à residência da família, a polícia voltou à casa dos Banfield, na Virgínia, em busca de novos elementos. No quarto onde Christine foi brutalmente esfaqueada, investigadores encontraram um detalhe que se tornaria simbólico para a acusação: uma foto emoldurada de Brendan Banfield sorrindo ao lado de outra mulher — a au pair da família, segundo registros judiciais.
Brendan Banfield, ex-agente da Receita Federal dos Estados Unidos (IRS), enfrenta agora um julgamento por duplo homicídio. A seleção do júri está marcada para esta segunda-feira, e os promotores afirmam que ele planejou, junto com a au pair brasileira Juliana Peres Magalhães, o assassinato da própria esposa e de Joseph Ryan, um homem que teria sido atraído à casa para servir como bode expiatório do crime.
Brendan se declarou inocente das acusações de homicídio qualificado e de uso de arma de fogo. Ele está preso sem direito a fiança desde a prisão e pode pegar prisão perpétua caso seja condenado. O julgamento deve durar cerca de quatro semanas.
A acusação
Segundo o Ministério Público, Brendan e Juliana Peres Magalhães, hoje com 25 anos, mantinham um relacionamento extraconjugal e arquitetaram juntos um plano para matar Christine e simular que a morte dela teria ocorrido durante um ataque, permitindo que Ryan fosse morto sob a aparência de legítima defesa.
A promotoria descreve um enredo que inclui encontros secretos, supostas práticas sexuais com encenação violenta, idas a estandes de tiro e ligações falsas para o serviço de emergência 911. De acordo com os autos, a brasileira começou a trabalhar como au pair do casal no fim de 2021 e iniciou o relacionamento com Brendan em agosto de 2022.
No outono daquele ano, ainda segundo os promotores, Brendan teria manifestado à au pair o desejo de “se livrar” da esposa e passou a planejar o crime. Ele criou um perfil no site Fetlife, voltado a fetiches sexuais, e passou a se comunicar com Joseph Ryan. A acusação sustenta que Ryan acreditava que encontraria Christine para um encontro consensual envolvendo encenação sexual violenta com faca.
A noite do crime
O caso veio à tona em 24 de fevereiro de 2023, quando chamadas ao 911 partiram da residência da família, em Herndon, na Virgínia. Em uma delas, Brendan afirmou ter atirado em um homem que havia esfaqueado sua esposa. A polícia não encontrou sinais de arrombamento.
No andar superior da casa, os agentes encontraram Christine Banfield, de 37 anos, com múltiplos ferimentos por faca, e Joseph Ryan, de 39, morto a tiros. Christine chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
De acordo com a versão apresentada pelos promotores em audiência, Brendan aguardava em um restaurante McDonald’s próximo enquanto Ryan se dirigia à residência. Ao ser avisado pela au pair de que um homem desconhecido estava na casa, ele retornou rapidamente. O casal teria levado a filha de Brendan, então com 4 anos, para o porão antes de subir ao quarto.
A acusação afirma que Brendan entrou no quarto armado e se identificou como policial antes de atirar em Ryan. Em seguida, Christine foi esfaqueada. Ao perceber que Ryan ainda se movia, a brasileira teria disparado novamente contra ele. As mortes foram então reportadas às autoridades como resultado de uma invasão domiciliar.
Colaboração da brasileira
Juliana Peres Magalhães foi presa em outubro de 2023 e inicialmente acusada de homicídio. Em outubro de 2024, ela firmou um acordo com a promotoria e se declarou culpada de homicídio culposo pela morte de Ryan. Em troca, aceitou cooperar com as investigações e testemunhar contra Brendan, com recomendação de pena equivalente ao tempo já cumprido.
Ela é a principal testemunha de acusação e nesta terça-feira, dia 13, depôs no primeiro dia de testemunhos no caso.
Novas acusações
Em setembro de 2024, um grande júri indiciou Brendan por homicídio premeditado, afirmando que ele matou deliberadamente a esposa e Ryan. Em dezembro, novas acusações foram acrescentadas, incluindo abuso e negligência infantil, já que a filha do casal estava na casa no momento dos crimes.
“Desde o início, havia a sensação de muito mais por trás do que parecia naquela manhã”, afirmou o chefe da polícia do condado de Fairfax, Kevin Davis. “Depois de mais de um ano e meio, chegamos ao ponto de responsabilizar os envolvidos por essas duas mortes.”
O caso, marcado por detalhes perturbadores e uma complexa teia de relações pessoais, agora será analisado por um júri popular, que decidirá o destino de Brendan Banfield e o desfecho de um dos crimes mais chocantes da região nos últimos anos.
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