Deixar o Brasil aos 15 anos, passar por Portugal e, aos 16, desembarcar nos Estados Unidos. Para muitos adolescentes, uma mudança tão intensa seria sinônimo de instabilidade.
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Eny Martins: a força de uma jovem brasileira que encontrou na comunicação a ponte entre culturas
Deixar o Brasil aos 15 anos, passar por Portugal e, aos 16, desembarcar nos Estados Unidos. Para muitos adolescentes, uma mudança tão intensa seria sinônimo de instabilidade. Para Eny Martins, foi o ponto de partida de uma jornada marcada por coragem, identidade e transformação. Aos 22 anos, recém-formada em Comunicação e Mídia Digital pelo Ursinus College, na Pensilvânia, ela representa uma geração de imigrantes que busca mais do que sobrevivência: deseja construir pontes entre culturas e deixar sua marca no mundo.
Nascida em solo brasileiro, filha de mãe paraense, natural de Xinguara, e de pai também brasileiro. Seu “paidrasto” é luso-americano.
Eny cresceu entre tradições, raízes profundas e sonhos transnacionais. Após um período em Portugal, mudou-se com a família para os Estados Unidos, onde enfrentou desafios comuns a muitos imigrantes: a barreira do idioma, o choque cultural e a pressão de corresponder às expectativas de pais já inseridos em um novo estilo de vida.
“Cheguei aqui sem falar inglês, sem entender o sistema escolar e sem conhecer ninguém. Em seis meses, já me comunicava bem. Em um ano, estava fazendo amigos e ganhando meu espaço”, relembra.
Mas a fluência no idioma foi apenas o primeiro passo. Eny mergulhou em um sistema educacional que exigia mais do que boas notas — pedia participação ativa, pensamento crítico e expressão individual. “No Brasil, o ensino era mais centrado na escuta. Aqui, esperam que você fale, questione, colabore. Isso me tirou da zona de conforto”, conta.
Antes de concluir sua formação no Ursinus College, Eny iniciou sua graduação na Cabrini University, instituição que encerrou suas atividades em 2023. A transição de universidade foi mais uma prova de sua capacidade de adaptação e resiliência. Ao longo do curso, destacou-se não apenas pelo desempenho acadêmico, mas pelo envolvimento em iniciativas voltadas à comunidade imigrante.
Uma dessas experiências transformadoras foi sua participação em um projeto de comunicação comunitária, cujo foco era oferecer suporte a imigrantes recém-chegados aos Estados Unidos. “Poder usar minhas habilidades para ajudar quem estava passando por aquilo que eu já enfrentei foi muito significativo. Comunicação, para mim, é ferramenta de acolhimento e empoderamento.”
Além disso, Eny colaborou ativamente com o Loquitur, jornal universitário com forte presença entre estudantes e professores. O veículo foi porta de entrada para conexões profissionais importantes e funcionou como um espaço de expressão e pertencimento. “O Loquitur me deu voz e visibilidade. Foi ali que entendi o poder do jornalismo comunitário.”
Hoje, morando em Huntingdon Valley, na Pensilvânia, Eny enxerga sua trajetória como um mosaico de culturas. Apesar de viver em uma região com poucos brasileiros, ela transformou sua identidade em diferencial. “Ser brasileira me abriu portas. Meus amigos se interessam pela minha cultura, e percebo que trago uma visão única às conversas, tanto acadêmicas quanto pessoais.”
Os próximos passos já estão traçados: ela pretende aprofundar sua atuação em comunicação digital, explorando áreas como gerenciamento de redes sociais, produção de conteúdo, marketing, administração de websites e podcasting. Ao mesmo tempo, deseja manter o vínculo com projetos sociais e iniciativas que fortaleçam a comunidade imigrante nos Estados Unidos.
“Quero crescer na minha carreira, mas também quero fazer a diferença. Sei o quanto é difícil recomeçar em outro país, por isso quero usar minha formação para ajudar outros a se integrarem.”
Embora a vida nos EUA esteja consolidada, Eny não descarta um possível retorno ao Brasil no futuro, especialmente se surgir uma oportunidade que una propósito e impacto. “Tenho muito orgulho das minhas raízes. Se eu puder contribuir com o meu país de alguma forma, será uma honra.”
E, para quem está começando a trilhar o mesmo caminho, ela deixa um recado direto, fruto da experiência vivida na pele: “Não desistam. Mesmo quando tudo parecer difícil, confiem em vocês. Busquem apoio, compartilhem suas histórias e nunca tenham vergonha de ser quem são. Nossa história é nossa força.”
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