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Revista Brazilian Times # 86
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Medo do ICE e ingressos caros esfriam empolgação de brasileiros da Flórida com a Copa do Mundo

A paixão dos brasileiros pelo futebol é conhecida em todo o mundo. Mas, em Broward County, no sul da Flórida, dois fatores têm reduzido o entusiasmo da comunidade para acompanhar de perto a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos: o temor de ações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) e o alto preço dos ingressos.

A paixão dos brasileiros pelo futebol é conhecida em todo o mundo. Mas, em Broward County, no sul da Flórida, dois fatores têm reduzido o entusiasmo da comunidade para acompanhar de perto a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos: o temor de ações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) e o alto preço dos ingressos.

A preocupação afeta uma das maiores comunidades brasileiras do estado, concentrada em cidades como Deerfield Beach, Pompano Beach e Coconut Creek, onde a presença verde e amarela faz parte do cotidiano.

Em Deerfield Beach, o clima lembra o Brasil. Nas praias, o tradicional futevôlei atrai dezenas de jogadores nos fins de semana, enquanto restaurantes, padarias, salões de beleza e outros estabelecimentos exibem bandeiras do Brasil e oferecem produtos típicos.

O brasileiro Junior Sandara, que vive no sul da Flórida desde 1998, descreve a região como “Deerfield de Janeiro”.

“Você olha para o píer: do lado direito é americano; do lado esquerdo é brasileiro”, brinca.

Segundo estimativas oficiais, quase 25 mil brasileiros vivem em Broward County, embora especialistas afirmem que o número real pode ser bem maior, já que muitos não informam sua nacionalidade ao Censo americano.

Apesar de o Brasil disputar ao menos três partidas na Costa Leste — incluindo um jogo no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens — muitos brasileiros estão evitando ir aos estádios.

A principal razão é o receio de uma eventual atuação do ICE durante os jogos.

A preocupação aumentou após declarações do secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, que afirmou à imprensa americana que agentes do ICE estarão presentes nas partidas como parte das operações de segurança.

Embora tenha dito que não haverá “prisões em massa”, ele não descartou a possibilidade de detenções individuais.

Para a brasileira Renata Bozzetto, diretora-adjunta da Florida Immigrant Coalition, o clima de insegurança afetou diretamente o entusiasmo da comunidade. “Os brasileiros têm uma conexão profunda com o futebol. Esse entusiasmo poderia estar acontecendo aqui na Flórida, mas muitas pessoas estão com medo da fiscalização imigratória”, afirmou.

Outro obstáculo é o valor dos ingressos. Segundo a reportagem, os bilhetes para o jogo do Brasil no Hard Rock Stadium estavam sendo vendidos por preços a partir de US$ 1.700, valor considerado inacessível para grande parte da comunidade.

“Está muito caro. Não ouvi nenhum amigo dizendo que vai ao jogo”, disse Junior Sandara.

Para manter o espírito da Copa vivo, Sandara, que atua como diretor de esportes da First Brazilian Baptist Church, está organizando eventos para que brasileiros possam assistir às partidas juntos, sem precisar gastar milhares de dólares.

A iniciativa busca reunir famílias e amigos em um ambiente seguro e acessível.

Mesmo diante das preocupações com imigração e dos altos custos, a Copa do Mundo continua sendo um evento de enorme importância cultural para os brasileiros.

A expectativa é que, embora muitos não compareçam aos estádios, a comunidade mantenha viva a tradição de torcer pelo Brasil em reuniões, igrejas, bares e residências espalhadas pelo sul da Flórida.

A realidade mostra que, em 2026, o amor pelo futebol permanece intacto — mas o medo e os preços elevados estão impedindo muitos brasileiros de transformar esse sonho em realidade. (fonte: www.wlrn.org)

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