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Revista Brazilian Times # 83
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Miami lidera prisões do ICE nos EUA

A cidade de Miami, na Flórida, passou a concentrar o maior número de detenções migratórias realizadas pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), segundo dados recentes divulgados por organizações e análises independentes.

A cidade de Miami, na Flórida, passou a concentrar o maior número de detenções migratórias realizadas pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), segundo dados recentes divulgados por organizações e análises independentes. O aumento ocorre no contexto do segundo mandato do presidente Donald Trump e evidencia uma intensificação nas políticas de fiscalização migratória no país.

De acordo com informações citadas pela agência EFE e baseadas em análises do The New York Times, a unidade do ICE em Miami lidera o ranking nacional de prisões, com uma média de até 120 detenções por dia. Desde janeiro de 2025, já foram registradas 41.310 detenções sob a jurisdição do escritório, que abrange não apenas a Flórida, mas também Porto Rico e as Ilhas Virgens. Somente em 2026, o número já chega a 9.880.

A diferença em relação a outras regiões é significativa. Dallas aparece em segundo lugar, com 30.350 prisões, seguida por Nova Orleans (29.210), Houston (27.090), Atlanta (26.830), Chicago (23.230) e San Antonio (22.240). Os números colocam Miami com cerca de 36% mais detenções do que a segunda colocada, consolidando a Flórida como um dos principais centros de operações migratórias do país.

Especialistas e organizações como a Americans For Immigrant Justice apontam que o cenário está diretamente ligado às políticas adotadas no estado. Sob a liderança do governador Ron DeSantis, a Flórida passou a exigir que todos os condados firmem acordos do programa 287(g), que ampliam a cooperação entre forças policiais locais e o ICE. Na prática, esses acordos permitem que autoridades locais atuem diretamente na aplicação de leis federais de imigração.

Outro fator relevante é o perfil demográfico da região. No condado de Miami-Dade, mais de 54% da população nasceu fora dos Estados Unidos, o maior índice do país, segundo dados do censo. Essa característica contribui para o volume elevado de operações e detenções.

O crescimento em Miami acompanha uma tendência nacional. Um estudo da Universidade da Califórnia, em Berkeley, aponta que as detenções migratórias quadruplicaram em comparação ao governo anterior, do ex-presidente Joe Biden (2021–2025). Atualmente, os Estados Unidos registram mais de 6 mil prisões por semana, com uma média diária de cerca de 57 mil pessoas detidas em janeiro de 2026.

Outro dado que chama atenção é a mudança no perfil dos detidos. Segundo a Americans For Immigrant Justice, houve um aumento expressivo — de até 2.450% — no número de imigrantes sem antecedentes criminais entre os presos desde o início de 2025, indicando uma ampliação no alcance das operações.

O avanço das detenções e a liderança de Miami no cenário nacional reforçam o impacto das políticas migratórias mais rígidas e reacendem o debate sobre os limites da cooperação entre autoridades locais e federais na aplicação das leis de imigração nos Estados Unidos.

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