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Revista Brazilian Times # 84
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Suspeito da morte de brasileira em NJ comete suicídio antes de ser preso e indiciado

Para familiares e amigos, permanece a dor e a ausência de respostas sobre o paradeiro de Janaína — um mistério que, mesmo diante de evidências contundentes, pode nunca ser completamente esclarecido.


Um caso que chocou a comunidade brasileira nos Estados Unidos ganhou novos contornos dramáticos e pode ter um desfecho sem respostas definitivas. A brasileira Janaína Freire Gonçalves, moradora de Elizabeth, em Nova Jersey, desaparecida desde março de 2025, foi considerada morta pelas autoridades — e o principal suspeito, seu companheiro, tirou a própria vida antes de ser formalmente acusado de homicídio.

Segundo investigadores, Brendan Trivisonno, de 38 anos, seria indiciado por assassinato em primeiro grau quando equipes policiais cercaram sua residência em Lyndhurst, na manhã do dia 16 de abril de 2026. No entanto, ao perceber a chegada dos agentes, ele correu para dentro da casa, se trancou e, durante as negociações com a polícia e a equipe SWAT, atirou contra a própria cabeça, morrendo no local.

As autoridades afirmam que o relacionamento entre os dois era marcado por irregularidades e conflitos. De acordo com documentos oficiais, Trivisonno havia “se casado” com Janaína em 2024, mas o matrimônio não tinha validade legal, já que ele havia se casado com outra mulher apenas três semanas antes. A esposa legal confirmou à polícia que sabia do relacionamento extraconjugal entre o marido e a brasileira.

Janaína, de 48 anos e mãe de um filho, foi vista pela última vez no dia 10 de março de 2025. Três dias depois, seu desaparecimento foi registrado. Desde então, o caso mobilizou investigadores, que reuniram um conjunto robusto de evidências ao longo de mais de um ano.

Imagens de câmeras de segurança mostram o que seriam os últimos momentos da vítima. Por volta das 19h38 daquele dia, Janaína aparece abrindo a porta do prédio onde morava para Trivisonno. Os dois entram juntos — e essa é a última vez que ela é vista com vida.

Horas depois, o comportamento do suspeito passou a levantar suspeitas. Antes das 23h, ele foi flagrado deixando o prédio carregando uma grande bolsa de viagem e um saco de lixo branco. Ele retornou por volta das 2h11 da madrugada e, cerca de quatro horas depois, saiu novamente com sacos de lixo, que foram descartados em um caminhão de coleta.

Ainda na manhã seguinte, câmeras registraram Trivisonno retirando de sua van — identificada com o nome de sua empresa, “Triv Construction” — um grande contêiner preto com tampa amarela, que ele levou sozinho para dentro do prédio. Mais tarde, um funcionário foi chamado para ajudá-lo a transportar o mesmo recipiente, que já estava completamente amarrado com braçadeiras plásticas. O trabalhador relatou à polícia que foi informado de que o objeto era pesado demais para ser carregado por uma única pessoa.

Depoimentos de testemunhas reforçam a linha investigativa. Uma vizinha afirmou ter ouvido uma discussão intensa no apartamento naquela noite, descrevendo o barulho como se “houvesse 100 pessoas” no local.

As evidências materiais também foram determinantes. Durante buscas no imóvel, investigadores encontraram respingos e manchas de sangue no quarto da vítima. Testes laboratoriais confirmaram que o material genético era uma mistura de DNA de Janaína e de Trivisonno.

Além disso, um cofre pertencente à brasileira continha cerca de US$ 11 mil em dinheiro, documentos pessoais — incluindo certidão de nascimento, cidadania e registros de imigração — e uma carta escrita à mão. No texto, Janaína afirmava temer o suspeito e alertava que, caso o documento fosse encontrado, algo grave poderia ter acontecido com ela.

Outro elemento que reforça a suspeita é o fato de que tanto o telefone celular quanto as movimentações bancárias da vítima cessaram completamente no período em que ela desapareceu.

Com a morte do principal suspeito, o caso entra agora em uma fase de incerteza. Embora as autoridades considerem o conjunto de provas consistente para sustentar a acusação de homicídio, a ausência do corpo da vítima e o suicídio de Trivisonno dificultam a conclusão definitiva do crime.

Para familiares e amigos, permanece a dor e a ausência de respostas sobre o paradeiro de Janaína — um mistério que, mesmo diante de evidências contundentes, pode nunca ser completamente esclarecido.

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