Um casal de Natick, em Massachusetts, que foi alvo de uma campanha de intimidação considerada uma das mais chocantes já envolvendo uma grande empresa de tecnologia, chegou a um acordo de US$ 56 milhões com o eBay. O caso ganhou repercussão nacional após a revelação de que ex-funcionários da companhia organizaram uma série de ações de assédio contra os dois por causa de reportagens consideradas desfavoráveis à empresa.
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Casal de Massachusetts receberá US$ 56 milhões após campanha de assédio promovida por ex-funcionários do eBay
Um casal de Natick, em Massachusetts, que foi alvo de uma campanha de intimidação considerada uma das mais chocantes já envolvendo uma grande empresa de tecnologia, chegou a um acordo de US$ 56 milhões com o eBay. O caso ganhou repercussão nacional após a revelação de que ex-funcionários da companhia organizaram uma série de ações de assédio contra os dois por causa de reportagens consideradas desfavoráveis à empresa.
David e Ina Steiner, fundadores do boletim informativo EcommerceBytes, especializado em comércio eletrônico, processaram o eBay em 2021, alegando que a empresa participou de uma conspiração para intimidá-los, ameaçá-los e silenciá-los em razão da cobertura jornalística publicada pelo site.
Segundo a ação judicial, o casal foi submetido a meses de perseguição, ameaças de morte, vigilância presencial e uma série de entregas anônimas extremamente perturbadoras. Entre os objetos enviados à residência estavam baratas e aranhas vivas, uma coroa de flores fúnebres, uma máscara de porco ensanguentada usada no Halloween e outros itens destinados a provocar medo e sofrimento psicológico.
De acordo com as investigações federais, os envolvidos também enviaram revistas pornográficas utilizando o nome de David Steiner para a residência de um vizinho, além de planejarem invadir a garagem do casal para instalar um dispositivo de rastreamento por GPS em seu veículo.
Os Steiner afirmaram que o objetivo da campanha era interromper as reportagens críticas publicadas pelo EcommerceBytes, um dos veículos mais conhecidos do setor de comércio eletrônico nos Estados Unidos.
Em nota divulgada por meio de seus advogados, o casal afirmou que a principal motivação do processo sempre foi buscar a verdade e responsabilizar os envolvidos.
“Desde o início, nossos clientes queriam descobrir a verdade, proteger jornalistas e editores, responsabilizar os culpados, impedir futuras condutas corporativas inadequadas e ajudar a garantir que ninguém mais tivesse de passar pelo que eles viveram”, declarou a equipe jurídica dos Steiner.
Ex-funcionários foram condenados
O caso começou a ser investigado em 2020, quando promotores federais denunciaram sete ex-funcionários do eBay por participarem de uma campanha coordenada de perseguição.
A maioria dos acusados se declarou culpada por crimes como conspiração e perseguição virtual (cyberstalking), recebendo penas que incluíram prisão e confinamento domiciliar.
As investigações apontaram que o grupo atuou deliberadamente para intimidar o casal após demonstrar insatisfação com matérias publicadas pelo boletim eletrônico.
eBay também respondeu criminalmente
Além do acordo civil firmado agora com os Steiner, o eBay já havia enfrentado consequências criminais pelo caso.
Em 2024, a empresa concordou em pagar US$ 3 milhões para encerrar uma acusação criminal apresentada pelas autoridades federais, dentro de um acordo de suspensão do processo.
Na época em que a ação civil foi apresentada, a companhia reconheceu que a conduta dos ex-funcionários foi inaceitável.
“A conduta inadequada desses ex-funcionários foi errada”, afirmou a empresa, acrescentando que buscaria fazer “o que fosse justo e apropriado” para reparar os danos sofridos pelo casal.
Caso se tornou referência sobre assédio corporativo
O episódio passou a ser considerado um dos casos mais emblemáticos de assédio corporativo contra jornalistas nos Estados Unidos, levantando debates sobre responsabilidade empresarial, liberdade de imprensa e os limites da atuação de funcionários de grandes companhias.
Com o acordo de US$ 56 milhões, encerra-se uma disputa judicial iniciada há cinco anos, marcando um dos maiores acordos já firmados em um caso envolvendo perseguição a jornalistas por representantes de uma empresa privada.
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