De acordo com a reportagem, as adolescentes estão sob responsabilidade do Office of Refugee Resettlement (ORR), órgão vinculado ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), responsável por menores imigrantes desacompanhados.
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Meninas de até 13 anos grávidas sob custódia imigratória nos EUA são transferidas para centro no Texas, revela investigação
Da redação
Uma investigação jornalística revelou que adolescentes imigrantes desacompanhadas, algumas com apenas 13 anos de idade e grávidas, estão sendo concentradas em uma unidade federal na cidade de San Benito, no Texas. O caso reacendeu o debate sobre o tratamento dado a menores sob custódia do governo dos Estados Unidos e levantou preocupações sobre o acesso dessas jovens aos cuidados médicos e aos seus direitos reprodutivos.
De acordo com a reportagem, as adolescentes estão sob responsabilidade do Office of Refugee Resettlement (ORR), órgão vinculado ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), responsável por menores imigrantes desacompanhados. Embora tenham entrado no sistema por meio das autoridades de imigração, elas não estão sob administração direta do ICE.
Funcionários ouvidos pela investigação afirmaram que mais de uma dezena de adolescentes grávidas foi transferida para a instalação no Texas desde meados de 2025. Entre elas, havia meninas com apenas 13 anos de idade. Segundo os relatos, aproximadamente metade das gestações teria sido resultado de violência sexual, tornando esses casos especialmente delicados e exigindo atendimento médico e psicológico especializado.
A escolha do Texas como destino para essas adolescentes gerou críticas de especialistas e organizações de direitos humanos. O estado possui uma das legislações mais restritivas dos Estados Unidos em relação ao aborto, o que levantou questionamentos sobre se as jovens teriam acesso adequado a todas as opções previstas pela legislação federal e aos cuidados necessários durante a gravidez.
Ex-integrantes do governo, profissionais da saúde e defensores dos direitos dos imigrantes afirmam que a centralização das menores grávidas em uma única unidade pode dificultar o acesso a serviços especializados e aumentar os desafios enfrentados por adolescentes que já chegam aos Estados Unidos em situação de extrema vulnerabilidade.
Em resposta às críticas, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos informou que as transferências seguem critérios de proteção, segurança e bem-estar das menores. O órgão também negou que a política tenha como objetivo restringir o acesso a atendimento médico ou limitar direitos reprodutivos, afirmando que todas recebem acompanhamento de saúde conforme as normas federais.
O caso reacendeu o debate nacional sobre a proteção de crianças e adolescentes migrantes, especialmente aquelas que chegam desacompanhadas ao país após enfrentarem violência, exploração ou outras situações de risco em seus países de origem e durante a jornada migratória. Organizações de defesa dos direitos humanos pedem maior transparência sobre as condições dessas unidades e reforçam a necessidade de garantir assistência médica, psicológica e jurídica adequada às menores sob custódia do governo norte-americano.
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