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Revista Brazilian Times # 86
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Família pede investigação após mexicano morrer de leucemia sob custódia do ICE

A morte do mexicano Prisciliano Trejo, de 29 anos, após passar semanas sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), provocou forte repercussão entre familiares, autoridades mexicanas e organizações de defesa dos direitos dos imigrantes. O caso levantou questionamentos sobre a assistência médica prestada a pessoas detidas pelo sistema de imigração americano e motivou pedidos de uma investigação independente.

A morte do mexicano Prisciliano Trejo, de 29 anos, após passar semanas sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), provocou forte repercussão entre familiares, autoridades mexicanas e organizações de defesa dos direitos dos imigrantes. O caso levantou questionamentos sobre a assistência médica prestada a pessoas detidas pelo sistema de imigração americano e motivou pedidos de uma investigação independente.

Trejo foi preso por agentes do ICE em junho deste ano, na Carolina do Norte, e posteriormente transferido para o Stewart Detention Center, centro de detenção localizado em Lumpkin, no estado da Geórgia, e administrado pela empresa privada CoreCivic.

Segundo relatos da família e de entidades que acompanham o caso, o imigrante era portador de leucemia e começou a apresentar sintomas graves no início de julho. Entre os problemas relatados estavam vômitos com sangue, fortes dores, extrema fraqueza e dificuldades para caminhar. De acordo com as denúncias, mesmo após diversos pedidos de atendimento médico, ele só teria sido encaminhado a um hospital dias depois, quando seu quadro clínico já era considerado crítico.

Em 15 de julho, enquanto permanecia em coma, o ICE transferiu oficialmente sua custódia para a família. Nove dias depois, em 24 de julho, Prisciliano Trejo morreu sem recuperar a consciência.

A família afirma que o jovem estava em condições estáveis antes de ser detido e questiona por que ele não recebeu tratamento adequado logo nos primeiros sinais de agravamento da doença. O pai de Prisciliano declarou que não consegue compreender como o estado de saúde do filho piorou tão rapidamente durante o período em que esteve sob responsabilidade das autoridades migratórias.

O caso mobilizou organizações como Project South, El Refugio e Detention Watch Network, que acusam o sistema de imigração de falhas na prestação de assistência médica e pedem uma investigação transparente sobre as circunstâncias da morte. As entidades também criticam o fato de o falecimento inicialmente não constar na lista oficial de mortes sob custódia do ICE, alegando que a agência transferiu formalmente a custódia do detento para seus familiares quando ele já estava em estado terminal.

O governo do México, por meio da Secretaria de Relações Exteriores, também manifestou preocupação e informou que acompanha o caso. As autoridades mexicanas vêm cobrando esclarecimentos sobre o aumento de mortes de cidadãos do país sob custódia do ICE nos últimos meses.

Até o momento, não há uma conclusão oficial que determine se houve negligência médica por parte das autoridades americanas. As acusações partem da família e de organizações de direitos humanos, enquanto o governo dos Estados Unidos ainda não divulgou o resultado de uma investigação sobre as circunstâncias da morte.

O caso reacende o debate sobre as condições de atendimento médico nos centros de detenção de imigração dos Estados Unidos e aumenta a pressão para que as autoridades esclareçam se os protocolos de assistência à saúde foram cumpridos durante o período em que Prisciliano Trejo permaneceu sob custódia do ICE.

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