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Revista Brazilian Times # 84
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Relatório aponta aumento de mortes sob custódia da ICE durante segundo mandato de Trump

Um novo relatório divulgado pela organização Physicians for Human Rights (Médicos pelos Direitos Humanos) revela que o número de mortes de imigrantes sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) aumentou significativamente desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump.

Um novo relatório divulgado pela organização Physicians for Human Rights (Médicos pelos Direitos Humanos) revela que o número de mortes de imigrantes sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) aumentou significativamente desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump.

Segundo o estudo, intitulado Dying in Detention (“Morrendo na Detenção”), pelo menos 52 pessoas morreram enquanto estavam detidas pela agência. O documento afirma que a taxa de mortalidade nas unidades da ICE atingiu o maior nível em mais de dez anos, mais que dobrou em comparação ao início do atual governo Trump, é quase quatro vezes superior à registrada durante a administração Biden e mais de duas vezes maior do que a observada no primeiro mandato do republicano.

A análise reúne dados entre 20 de janeiro de 2025 e 4 de junho de 2026.

Desde o encerramento desse período, novas mortes também foram registradas. Entre elas está a do mexicano Felix Alcorta-Rodriguez, de 63 anos, que morreu no dia 19 de junho no Centro de Detenção do Condado de Webb, em Laredo, no Texas. De acordo com a ICE, ele foi encontrado inconsciente na unidade, recebeu atendimento de emergência e foi levado a um hospital, onde teve a morte confirmada. O caso representa a 20ª morte registrada sob custódia da agência em 2026.

Alcorta havia sido transferido para a custódia da ICE em 16 de junho, após deixar a prisão do Condado de Webb. Ele havia sido preso anteriormente por um mandado pendente relacionado ao não comparecimento a uma audiência judicial referente a um caso de direção sob efeito de álcool ocorrido em 2018.

O relatório também critica a política de ampliação das detenções de imigrantes adotada pelo governo Trump. Segundo os autores, o aumento da população detida levou as instalações ao limite da capacidade, chegando a cerca de 71 mil pessoas presas em janeiro de 2026. Ainda assim, o documento afirma que o crescimento no número de mortes foi desproporcional ao aumento da população encarcerada.

Nos primeiros 12 meses do segundo mandato de Trump, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, foram registradas 39 mortes sob custódia da ICE — um aumento de 140% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Entre os casos destacados estão um ucraniano de 44 anos que sofreu um derrame, um mexicano de 39 anos que teria morrido após uma parada cardíaca associada a um grave choque séptico e um homem de 32 anos que faleceu depois de ser diagnosticado com COVID-19 e permanecer 12 dias em isolamento.

Os autores do estudo também acusam a ICE de fornecer poucas informações sobre os óbitos, dificultando a fiscalização das condições nas unidades de detenção. Para a médica Katherine Peeler, coautora do relatório e professora da Harvard Medical School, a falta de transparência torna praticamente impossível o acompanhamento adequado desses casos.

Em resposta, a ICE afirma que a assistência médica aos imigrantes detidos é uma de suas principais prioridades. A agência diz que seus centros são obrigados a oferecer atendimento médico, odontológico e psicológico durante todo o período de detenção e ressalta que muitos estrangeiros chegam às unidades sem tratamento adequado para problemas de saúde preexistentes.

A ICE também informou que segue uma política de comunicação imediata das mortes sob custódia, notificando familiares, consulados, autoridades do Departamento de Segurança Interna (DHS), membros do Congresso e o público.

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