Um senador democrata dos Estados Unidos afirmou que o governo Trump estaria preparando uma operação para retirar rapidamente do país mais de 500 crianças imigrantes desacompanhadas, sem seguir todas as garantias legais previstas para menores de idade. A denúncia surge menos de um ano após uma iniciativa semelhante ter sido barrada pela Justiça Federal.
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Senador alerta para possível deportação acelerada de mais de 500 crianças imigrantes desacompanhadas nos EUA
Um senador democrata dos Estados Unidos afirmou que o governo Trump estaria preparando uma operação para retirar rapidamente do país mais de 500 crianças imigrantes desacompanhadas, sem seguir todas as garantias legais previstas para menores de idade. A denúncia surge menos de um ano após uma iniciativa semelhante ter sido barrada pela Justiça Federal.
O senador Ron Wyden, do estado de Oregon, enviou uma carta ao secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., informando que recebeu informações consideradas confiáveis de que centenas de crianças estariam sendo incluídas em um processo acelerado de deportação. Segundo ele, a medida poderia ser colocada em prática em questão de dias.
No documento, Wyden acusa o governo de abandonar princípios básicos de proteção à infância e de ignorar obrigações humanitárias. O parlamentar pede que qualquer plano de remoção seja imediatamente suspenso.
Como integrante de destaque do Comitê de Finanças do Senado, responsável pela supervisão do Escritório de Reassentamento de Refugiados (ORR), Wyden não revelou a origem das informações obtidas. Sua equipe também não forneceu detalhes adicionais.
Em resposta, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) negou que exista qualquer operação desse tipo em andamento. A porta-voz Emily Hilliard afirmou que “não há planos para direcionar ações contra essas crianças” e classificou as declarações do senador como alarmistas.
Segundo o governo, o objetivo é localizar pais ou responsáveis legais para garantir que as crianças sejam entregues apenas a patrocinadores devidamente avaliados e considerados seguros.
A preocupação de Wyden tem como base um episódio ocorrido em 2025, quando dezenas de crianças guatemaltecas foram retiradas de abrigos e lares temporários durante a madrugada e levadas para aeroportos no Texas, de onde seriam enviadas à Guatemala. A operação acabou interrompida por decisão de um juiz federal antes da decolagem dos voos.
Advogados que representavam os menores relataram que a ação provocou forte impacto emocional. De acordo com os relatos, crianças foram vistas chorando, rezando, passando mal e apresentando sinais de extremo desespero. Algumas sofreram consequências psicológicas por vários meses após o episódio.
A legislação americana prevê diversas proteções para crianças que entram desacompanhadas no país. Entre elas está a possibilidade de permanecerem com familiares ou outros patrocinadores enquanto aguardam a análise de seus processos migratórios. Dependendo das circunstâncias, também podem solicitar asilo ou outros mecanismos de proteção humanitária.
Entidades que atuam na defesa dos direitos dos imigrantes afirmam que as atuais políticas têm dificultado a liberação dessas crianças para patrocinadores, fazendo com que muitas permaneçam por longos períodos em abrigos administrados pelo governo.
Segundo Wyden, as crianças que estariam na nova lista de deportação são originárias de países como Guatemala, Honduras, El Salvador e Afeganistão. Muitas estão sob custódia do governo americano há pelo menos 180 dias e foram classificadas como menores sem um patrocinador considerado apto nos Estados Unidos.
Especialistas destacam que, em diversos casos, a ausência de um patrocinador não significa abandono. Os pais podem estar fora dos Estados Unidos, já ter falecido ou até evitar procurar as autoridades por medo de serem presos durante tentativas de reunificação familiar.
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