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Revista Brazilian Times # 86
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Provedores de serviços de educação em Wisconsin alertam para falta de apoio e risco de colapso do setor

Provedores de serviços de educação infantil em Wisconsin alertam para o agravamento da crise no setor, diante da dificuldade de manter funcionários qualificados, garantir salários justos e oferecer um ambiente seguro e de qualidade para crianças pequenas. A situação, segundo profissionais da área, pode se agravar ainda mais sem apoio contínuo do governo estadual.

Da redação

Provedores de serviços de educação infantil em Wisconsin alertam para o agravamento da crise no setor, diante da dificuldade de manter funcionários qualificados, garantir salários justos e oferecer um ambiente seguro e de qualidade para crianças pequenas. A situação, segundo profissionais da área, pode se agravar ainda mais sem apoio contínuo do governo estadual.

Uma diretora de centro infantil com 19 anos de experiência, que pediu para não ser identificada por temer retaliações políticas, descreveu o cenário como “insustentável”. Ela afirmou que além de administrar a equipe e as contas, precisa assumir tarefas básicas do dia a dia, como limpar banheiros e trocar fraldas. “Não entrei nessa profissão para enriquecer. Mas todos aqui merecem um salário digno e respeito pelo que fazem”, disse.

De acordo com a gestora, seu centro teve que aumentar os salários dos funcionários em US$ 4 por hora recentemente para competir com outros setores da economia local, como varejo e restaurantes. Ao mesmo tempo, os pais não conseguem arcar com mensalidades mais altas, o que pressiona ainda mais os provedores.

O impasse mobilizou educadores e donos de centros de cuidados infantis a se organizarem politicamente, especialmente durante o mais recente ciclo orçamentário estadual. No entanto, relatos de resistência por parte de legisladores não foram incomuns. “Ouvimos frases como ‘vocês só querem dinheiro’ ou ‘essas mulheres precisam aprender a administrar um negócio’. Até comentários dizendo que mulheres deveriam cuidar dos filhos em casa foram registrados”, contou.

No orçamento anterior, Wisconsin foi um dos seis estados que não destinaram nenhum recurso estadual para educação infantil. A sobrevivência de muitos centros só foi possível graças a repasses emergenciais viabilizados pelo governador Tony Evers, que utilizou recursos federais para fazer pagamentos diretos aos provedores.

Desde então, mobilizações em todo o estado chamaram a atenção da sociedade e da classe política. Foram realizados eventos como o “Dia Sem Cuidados Infantis”, conversas comunitárias, visitas de legisladores a centros educacionais e campanhas de comunicação em veículos de imprensa. O movimento teve impacto: parlamentares de ambos os partidos passaram a reconhecer a gravidade da situação e a necessidade de investimentos estruturais.

O novo orçamento estadual, embora não tenha atendido à proposta original de US$ 330 milhões em pagamentos diretos apresentada pelo governador, destinou pela primeira vez recursos estaduais para a educação infantil — incluindo US$ 110 milhões em apoio direto aos centros. “É um passo importante, mas ainda insuficiente”, avalia a provedora.

Entre os pontos polêmicos do novo orçamento está a desregulamentação de regras relacionadas à proporção entre cuidadores e crianças. Agora, um único funcionário poderá cuidar de até sete crianças com mais de 18 meses — anteriormente, o limite era quatro. A medida também permite que jovens de 16 anos sejam contratados como assistentes em tempo integral.

Educadores e especialistas criticam a mudança, alegando que ela compromete a segurança e o desenvolvimento infantil. A Associação Nacional para a Educação de Crianças Pequenas recomenda a proporção de um adulto para cada quatro crianças de 18 a 36 meses.

“Não vou aderir à desregulamentação. Não é seguro e não ajuda a resolver o problema da falta de mão de obra”, declarou a diretora. “Adolescentes de 16 anos ainda estão em formação. Eles não têm a maturidade necessária para lidar com grupos grandes de crianças pequenas.”

Apesar das críticas, o setor reconhece que houve avanços e que a mobilização coletiva está fazendo a diferença. “Criamos uma rede forte. Vamos continuar lutando por um sistema que valorize a educação infantil como infraestrutura essencial para as famílias, comunidades e a economia de Wisconsin.”

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