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Edição MA 4392

Última Edição #4392

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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 86
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Coluna Debora Corsi: Humanidade em Declínio

No Brasil, um jovem desceu por uma árvore para acessar a jaula de uma leoa. A cena foi registrada por um espectador e, em poucos minutos, o vídeo já circulava em diversos canais.

No Brasil, um jovem desceu por uma árvore para acessar a jaula de uma leoa. A cena foi registrada por um espectador e, em poucos minutos, o vídeo já circulava em diversos canais. A leoa, obedecendo ao próprio instinto, atacou o rapaz — e ele não sobreviveu. Nas redes sociais, em vez de compaixão, multiplicaram-se comentários marcados pelo desprezo. Expressões como “bem-feito”, “menos um” e “mereceu” inundaram as publicações, refletindo a impiedade com que muitos reagiram ao episódio.

O rapaz não gozava de plena saúde emocional… mas e aqueles que celebraram sua morte?

A leoa seguiu sua natureza — identificou uma ameaça e reagiu.

E nós, que ostentamos o título de seres humanos?
Que classificação cabe àqueles que festejam a morte do próximo?

A trajetória desse jovem é marcada pela dor desde o início. Rejeitado na infância, chegou à maioridade acumulando passagens pela polícia — sinais claros de uma vida atravessada pela solidão, pelo abandono e pela ausência de políticas públicas eficazes para o tratamento de transtornos mentais.

Em uma rede social, um policial relatou:
“Eu conhecia esse rapaz. Ele entrou várias vezes na delegacia onde eu trabalhava, e sempre que saía dizia que faria algo para retornar ao presídio.”
Para ele, as grades tornaram-se lar; o banho de sol no pátio do presídio, momento de lazer.

  E, para piorar essa história da vida real, o Correio Braziliense do dia 02/12/25 noticiou que apenas duas pessoas estiveram no sepultamento desse jovem: a mãe e a prima.
Rejeitado no nascimento e rejeitado na morte, enquanto, nas redes sociais, a dor de sua partida era motivo de riso.

Do outro lado do oceano, outra história igualmente perturbadora ganha destaque. Uma mulher de 60 anos, residente no Arizona, saiu para trabalhar e nunca mais voltou para casa. Ela sequer atravessou a porta de saída do banco onde atuava. Morreu ali, silenciosamente — e só foi encontrada quatro dias depois.

Colegas seguiram suas rotinas sem notar sua ausência. Não havia uma amiga que a acompanhasse ao fim do expediente? Nenhum familiar sentiu sua falta durante aqueles quatro dias? Nem mesmo um registro de desaparecimento foi feito.

Seu corpo só foi encontrado quando um odor incomum entre as divisórias chamou a atenção dos funcionários. Foi assim que descobriram que ela havia morrido.

Entre a Jaula e o Escritório, essas duas histórias Expõem a Indiferença Humana.

A Bíblia, em Mateus 24:12, adverte: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.”
Estamos vivendo exatamente esse tempo — um período em que nada mais parece sensibilizar o coração humano. A normalização da indiferença é um sinal preocupante.

Para onde estamos caminhando?
Que mundo é este no qual a morte de um jovem devorado por uma leoa não desperta compaixão, e no qual uma funcionária desaparece dentro do próprio local de trabalho sem que ninguém perceba?

Esses episódios nos provocam a um exame profundo:
Estamos sendo amados por aqueles que convivem conosco?
Ou somos apenas mais um nome que não fará falta se, amanhã, deixarmos de existir?

A comoção seletiva de dezembro, alimentada pelo clima natalino, perde sentido quando ignoramos, de janeiro a novembro, que vidas humanas não são objetos descartáveis, substituíveis ao menor incômodo.

É urgente retornar ao interior de nós mesmos e avaliar se ainda preservamos o essencial do que deveria ser o instinto humano.

Como pode um animal irracional permanecer fiel à sua natureza — e nós, dotados de inteligência, ainda não aprendemos a proteger a nossa própria espécie?

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