À medida que setembro se despede, permanece a necessidade de dar voz à campanha mundial Setembro Amarelo, que vai muito além de uma simples data. Diariamente, pessoas em todo o mundo pensam em desistir da vida.
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Coluna Debora Corsi: PÍLULA AMARGA
À medida que setembro se despede, permanece a necessidade de dar voz à campanha mundial Setembro Amarelo, que vai muito além de uma simples data. Diariamente, pessoas em todo o mundo pensam em desistir da vida. É como se o céu azul se tornasse cinza para elas, e o sol, em vez de iluminar, queimasse a alegria de viver. O que leva alguém a levantar da cama sem a perspectiva de vencer mais um dia? Muitas vezes, carregam traumas não superados, afogam-se em mágoas enraizadas, permanecem na jaula da rejeição e não encontram quem quebre as correntes da solidão. Andam pelas ruas sem rumo, porque acordar se tornou um tormento. Datas festivas são dias como quaisquer outros; na agenda não existem metas nem desafios.
As estatísticas apontam um número alarmante de suicídios no mundo, e não sabemos de imediato como reverter esse quadro. A campanha Setembro Amarelo (movimento internacional de prevenção ao suicídio que começou em 2003, quando a OMS instituiu o 10 de setembro como Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio) não pode ser apenas uma data no calendário: precisa ocupar espaço, ganhar voz e provocar atitudes capazes de alcançar quem necessita de uma mão estendida — não de um dedo apontado que apenas aumente a culpa.
Diariamente, essas pessoas ingerem uma pílula amarga: o desprezo de uma sociedade que parou de olhar nos olhos para se fixar nas telas; que deixou de convidar um amigo para um café e passou a preferir debates acalorados nas redes sociais; que trocou o amor ao próximo pelo ódio alimentado por quem só defende um lado. A humanidade precisa retornar à sua essência, pois, por mais avançada que seja a inteligência artificial, ela não será capaz de deter o desespero de alguém que desperta com a única vontade de abandonar a própria vida.
É preciso sensibilidade para perceber que a alegria aparente de quem está em bares e clubes muitas vezes mascara uma dor latente. É preciso olhar com atenção para os templos religiosos: há fiéis — e até líderes — que enfrentam pensamentos suicidas. É inaceitável que, em lugares que pregam amor e intimidade com Deus, ninguém perceba a dor de quem está sentado ao lado. Urge oferecer suporte a quem toma essa pílula amarga, cujo efeito pode levar à parada dos batimentos cardíacos. Se não houver um plano de unidade e solidariedade, o que restará será apenas uma visita ao familiar enlutado para dizer: sinto muito.
E enquanto muitos acreditam que a pílula amarga está apenas na casa do vizinho, podem ser surpreendidos ao descobrir que, dentro da própria casa, existe alguém em silêncio, lutando contra a dor e pensando em desistir. Estenda a mão, ofereça cuidado e diga a quem está perto: você não está sozinho.
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