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Última Edição #4392

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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 86
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Coluna Debora Corsi: PRESENTE OU PRESENÇA?

Já passamos da metade do ano e muitas datas comemorativas ficaram para trás: Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia dos Namorados, aniversários de pessoas queridas. Certamente, a maioria de nós comprou presentes nessas ocasiões, porque agradar é sempre um gesto que faz bem para quem oferece e para quem recebe.

Já passamos da metade do ano e muitas datas comemorativas ficaram para trás: Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia dos Namorados, aniversários de pessoas queridas. Certamente, a maioria de nós comprou presentes nessas ocasiões, porque agradar é sempre um gesto que faz bem para quem oferece e para quem recebe. Agora, caminhamos para o Natal, a festa celebrada por tantos, e é natural que pensemos novamente em presentear. Afinal, trocar presentes é uma forma de demonstrar amor, atenção e consideração.

Mas deixo aqui uma reflexão necessária: o que vale mais, a presença ou o presente?

Alguns dirão que a presença é o mais importante. Outros, que é preciso ter os dois. No entanto, a análise deve ser mais profunda e sincera. Nesses oito meses de 2025, o quanto realmente estivemos presentes na vida daqueles que afirmamos amar?

Trocar mensagens pelo WhatsApp ou enviar cartões digitais pelo Instagram pode até ser um gesto de carinho, mas está longe de significar verdadeira presença. Ainda vivemos em uma sociedade que valoriza o que se compra, mas pouco pensa em como oferecer tempo de qualidade a alguém.

Pais, muitas vezes, buscam compensar a ausência com presentes caros: um iPhone de última geração para uma criança de dez anos, um carro para o filho que completou a maioridade, uma casa para a filha criada para ser independente, viagens internacionais exibidas nas redes sociais como sinônimo de felicidade. Tudo isso é legítimo e desejável, mas a pergunta permanece: esses presentes foram capazes de agregar presença?

Basta observarmos: em viagens, jantares e festas, as pessoas estão no mesmo espaço físico, chegam juntas, mas não se conectam de fato. Em vez disso, estão mergulhadas nas redes sociais, curtindo postagens de desconhecidos e, muitas vezes, sentindo inveja de vidas irreais. Compartilham o mesmo carro, mas não trocam uma palavra — e não é raro que até moradores da mesma casa utilizem veículos separados para ir ao mesmo evento, sob a justificativa de que depois poderão seguir para lugares diferentes.

A verdadeira presença é outra: é ouvir com atenção, dialogar sem pressa, abraçar com sinceridade. É tomar um café que esfria na xícara de tanto que a conversa se estende. É rir sem medo de julgamento. É caminhar de mãos dadas sem precisar registrar em foto para provar felicidade. É deitar na grama com as crianças e tentar contar estrelas. É marcar uma visita e cumpri-la. É ir ao cinema com amigos e, ao final, debater o filme sem abrir o celular.

A lista de exemplos é infinita. A pergunta, no entanto, continua ecoando: de janeiro a julho, o que fizemos de verdade?

Presentes são maravilhosos, mas a presença é eterna. Quando alguém parte, o que permanece na memória: a mansão comprada ou o dia em que dançaram juntos na chuva?

É tempo de refletirmos: precisamos ser mais presentes, porque o melhor presente sempre será a nossa presença.

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