Natural de Nacip Raydan, Minas Gerais, o brasileiro Edenilso Moura, de 26 anos, carrega consigo uma paixão que começou ainda na infância: o rodeio. Vivendo nos Estados Unidos desde março de 2021, ele divide sua rotina entre o trabalho durante a semana e as arenas de rodeio nos fins de semana, mantendo viva uma tradição que faz parte de sua identidade.
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Coluna Kissila: Brasileiro em busca do sonho: Edenilso Moura leva a tradição do rodeio para os Estados Unidos
Natural de Nacip Raydan, Minas Gerais, o brasileiro Edenilso Moura, de 26 anos, carrega consigo uma paixão que começou ainda na infância: o rodeio. Vivendo nos Estados Unidos desde março de 2021, ele divide sua rotina entre o trabalho durante a semana e as arenas de rodeio nos fins de semana, mantendo viva uma tradição que faz parte de sua identidade.
Edenilso chegou ao país ao lado da esposa, Beatriz Teixeira, com o objetivo de trabalhar, conquistar estabilidade e melhorar a vida da família. No entanto, mesmo com a nova vida em outro país, o amor pelo rodeio continuou presente. “Quando eu era criança, com uns oito ou nove anos, eu sempre falava que queria ser peão de rodeio, montar em boi e viver aquilo. Com o tempo a gente cresce, a vida muda e a paixão acaba esfriando um pouco”, conta.
Foi apenas anos depois, por volta dos 17 para 18 anos, que a chama voltou a se acender. Um amigo o convidou para participar de um treino e, naquele momento, o sonho voltou com força total. Desde então, ele passou a se dedicar novamente ao esporte.

Embora já tivesse experiência anterior, Edenilso considera que sua trajetória profissional no rodeio começou de fato há cerca de três anos. Nesse período, ele já conquistou um resultado marcante: o título de campeão em um rodeio realizado em Ladson SC. “Foi um rodeio de três dias. Quem tivesse a maior somatória de pontos ganhava. Eu consegui parar nos três touros nos três dias e terminei com a maior pontuação”, relembra com orgulho.
Nos Estados Unidos, porém, o maior desafio não está necessariamente nos touros, mas na rotina intensa. Durante a semana, Edenilso trabalha na área de carpintaria, especializado em acabamento interno — conhecido no setor como trimming. Conciliar o trabalho de segunda a sexta-feira com os rodeios que começam na quinta ou sexta é, segundo ele, a maior dificuldade. “Muitas vezes o rodeio começa quando ainda estou trabalhando. Nem sempre dá para parar para ir competir, então o mais difícil é equilibrar as duas coisas”, explica.

Antes de cada montaria, o preparo é essencial. Cada peão tem seu próprio ritual, mas alguns cuidados são indispensáveis. “Chego cedo, preparo tudo com calma, confiro se as esporas estão certas, limpo o que precisa e passo cola na corda, porque toda montaria precisa disso. Depois é montar e seja o que Deus quiser”, diz.
Apesar da coragem necessária para enfrentar um touro que pode pesar entre 400 e 1.000 quilos, Edenilso faz questão de destacar que o sentimento não é de medo, mas de respeito. “A gente sempre tem respeito pelos touros. É um animal muito forte e merece respeito. O segredo é manter a cabeça tranquila, esquecer qualquer problema da semana e focar apenas no touro e nos oito segundos.”

Representar o Brasil nas arenas também traz um sentimento especial de responsabilidade. “Os brasileiros são considerados os melhores do mundo no rodeio. Então, quando você está aqui competindo, sente que tem uma responsabilidade maior de levar o nome do Brasil.”
Segundo ele, uma das grandes diferenças entre o rodeio no Brasil e nos Estados Unidos está na qualidade dos touros e na estrutura do esporte. “Os Estados Unidos estão muitos anos à frente em termos de criação e seleção dos touros. Mas aqui também existe um público muito apaixonado. As pessoas vão realmente para assistir ao rodeio.”
Apesar das conquistas, Edenilso ainda tem um grande sonho: poder viver exclusivamente do rodeio. “Meu sonho é poder me dedicar ao rodeio durante a semana inteira, treinar de segunda a quinta e competir nos fins de semana. Construir minha vida através do rodeio, seja em campeonatos grandes ou pequenos.”

Para os jovens que pensam em seguir esse caminho, ele deixa um conselho baseado em sua própria experiência. “O campeão não nasce na arena, ele nasce nos treinos. Tem que treinar todos os dias. Mesmo quando eu falho, continuo tentando. Porque quando eu não treino, sinto que estou deixando meu sonho mais distante.”
Para Edenilso, o rodeio vai muito além de um esporte. “É um estilo de vida. O cowboy precisa viver como cowboy. Hoje em dia também somos atletas, treinamos em academia, cuidamos do corpo, mas a tradição precisa continuar.”
E, na hora decisiva, quando a porteira se abre e o touro dispara, não há espaço para pensar demais. “Depois que você amarra a mão na corda e pede para abrir a porteira, não dá mais para pensar. É ação e reação. O touro age e você precisa reagir em frações de segundos. Por isso o treino é tão importante.”
Entre trabalho, treinos e montarias, Edenilso Moura segue firme em sua jornada — levando consigo o espírito do rodeio brasileiro e o sonho de conquistar cada vez mais espaço nas arenas americanas.
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