A coluna Coisas da América revela os detalhes que nem sempre aparecem nas manchetes, mas ajudam a entender melhor os Estados Unidos. Nesta coluna, fatos inusitados, dados surpreendentes e histórias pouco conhecidas mostram como a cultura, os costumes e o cotidiano norte-americano vão muito além dos estereótipos.
A cada edição, um convite para descobrir a América por ângulos curiosos, informativos e, muitas vezes, inesperados.
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Coluna Coisas da América: Sabia que New Orleans é considerada a cidade menos “americana” do país?
Quando se fala em Estados Unidos, muita gente imagina arranha-céus, ritmo acelerado, fast food e um estilo de vida padronizado. New Orleans, na Louisiana, vai na contramão de tudo isso — e talvez por isso seja frequentemente apontada como a cidade menos “americana” dos EUA.
Fundada por franceses em 1718 e marcada também pela presença espanhola, africana e caribenha, New Orleans desenvolveu uma identidade própria, que não se parece com nenhuma outra cidade do país. Em muitos bairros, o inglês divide espaço com o francês e expressões crioulas, enquanto a arquitetura lembra mais cidades da Europa do que o modelo urbano americano tradicional.
Foi ali que o jazz nasceu, não como um produto comercial, mas como linguagem cultural. A música escapa dos palcos e invade ruas, bares e até funerais — sim, em New Orleans a despedida dos mortos costuma ser acompanhada por bandas que transformam o luto em celebração da vida.
A culinária é outro ponto fora da curva. Pratos como gumbo, jambalaya e crawfish étouffée não seguem padrões nacionais: são herança direta da mistura entre culturas africanas, francesas e indígenas, criando sabores que não existem em nenhum outro lugar dos Estados Unidos.

O Mardi Gras, o famoso carnaval da cidade, é mais do que uma festa anual. Ele molda o calendário, a economia e o espírito local, com meses de desfiles, máscaras, cores e uma relação com o espaço público muito distante da lógica americana tradicional.
Há ainda um lado místico que reforça essa singularidade. Histórias de vodu, lendas urbanas e um imaginário espiritual intenso fazem parte do cotidiano, especialmente no French Quarter, onde passado e presente parecem caminhar juntos.
No fim das contas, New Orleans não tenta se encaixar no molde americano. Ela preserva sua própria lógica, seu próprio ritmo e sua própria alma. E é exatamente essa recusa em se tornar “igual às outras” que transforma a cidade em uma das experiências culturais mais ricas — e mais diferentes — dos Estados Unidos.
A cidade de Salem, Massachusetts, já julgou pessoas como bruxas
Pode parecer coisa de filme ou lenda urbana, mas é fato histórico: pessoas foram oficialmente julgadas e condenadas por bruxaria nos Estados Unidos. O episódio mais famoso aconteceu no século XVII, na cidade de Salem, no estado de Massachusetts.
Entre 1692 e 1693, Salem viveu um período de histeria coletiva. Acusações de práticas sobrenaturais se espalharam rapidamente, impulsionadas pelo medo, por disputas pessoais e por um forte contexto religioso. Bastava uma suspeita — um comportamento considerado estranho, uma doença inexplicável ou um simples boato — para que alguém fosse levado a julgamento.
O resultado foi trágico: mais de 200 pessoas acusadas, dezenas presas e 19 executadas por enforcamento, além de outras que morreram na prisão. Nenhuma prova concreta era exigida; sonhos, visões e testemunhos sem base real eram aceitos como evidência.
Hoje, os julgamentos das bruxas de Salem são vistos como um dos maiores erros judiciais da história americana e um alerta sobre os perigos do medo coletivo e da intolerância. A cidade, que carrega esse passado sombrio, transformou o episódio em memória histórica — e em um lembrete de que nem sempre a Justiça esteve do lado da razão.
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