O Flamengo chegou ao confronto com status de gigante sul-americano. Campeão da Libertadores, vencedor do Brasileirão e dono do maior poder financeiro do continente, o clube representava o que há de mais forte no futebol da América Latina hoje
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Coluna SporTotal by Roberto Vieira
Flamengo fica no “cheirinho”
Flamengo perde para o PSG, e vê sonho intercontinental escapar

Rubro-Negro compete, cria, mas sucumbe ao poder financeiro, técnico e estrutural do futebol europeu
O Flamengo voltou a bater na trave em um palco global. Diante do Paris Saint-Germain, campeão europeu, o rubro-negro foi derrotado e deixou escapar o título intercontinental, reforçando uma sensação que já se tornou recorrente: o famoso “cheirinho”. Mas reduzir o resultado a azar, nervosismo ou detalhes de jogo seria intelectualmente desonesto. O que se viu foi um choque de realidades, duro, incômodo e revelador.
O Flamengo chegou ao confronto com status de gigante sul-americano. Campeão da Libertadores, vencedor do Brasileirão e dono do maior poder financeiro do continente, o clube representava o que há de mais forte no futebol da América Latina hoje. Ainda assim, isso não foi suficiente para equilibrar forças com um PSG moldado pela lógica do futebol europeu moderno: cofres infinitamente mais robustos, elenco mais profundo e um ritmo de jogo em outra rotação.

Em campo, a superioridade francesa se manifestou não apenas na posse de bola ou nas estatísticas frias, mas na naturalidade com que o PSG controlou o jogo. Mesmo quando o Flamengo tentou competir, pressionar ou acelerar, esbarrou em limitações estruturais. A diferença não está apenas nos nomes, está no contexto. Enquanto o futebol europeu joga em alta intensidade semanalmente, a América do Sul ainda alterna picos de excelência com longos períodos de sobrevivência tática.
O “cheirinho”, nesse cenário, deixa de ser apenas emocional ou folclórico. Ele passa a ser sintoma. Sintoma de um sistema que produz grandes times para o continente, mas que não consegue sustentar competitividade constante contra a elite europeia. O Flamengo perdeu nos pênaltis, desperdiçou cobranças, é verdade. Mas antes disso, foi empurrado para uma margem mínima de erro por um adversário que joga sob outra lógica de preparação, investimento e exigência.
O PSG, com um elenco muito superior tecnicamente e fisicamente, mostrou por que o futebol europeu segue anos-luz à frente quando o assunto é confronto direto em nível máximo. Não se trata de desmerecer o Flamengo, pelo contrário. Chegar à decisão e competir já é, dentro do contexto sul-americano, um feito relevante. Mas insistir na narrativa de igualdade é fechar os olhos para a realidade.
O Flamengo é gigante no Brasil e dominante na América do Sul. Porém, quando cruza o oceano simbólico que separa os continentes, a diferença aparece de forma brutal. O futebol brasileiro ainda vive de memória, talento individual e paixão. O europeu vive de método, dinheiro e intensidade contínua.
Enquanto essa equação não mudar, o “cheirinho” seguirá rondando. Não como provocação rival, mas como lembrete incômodo de que o futebol sul-americano, apesar de sua história e grandeza, ainda corre atrás de um jogo que mudou de marcha, e não espera ninguém. Não é questão de camisa, raça ou tradição. É dinheiro, estrutura e tempo. E nisso, a Europa está muitos passos à frente. Não é demérito. É realidade. E realidade não se discute, se encara.
By: Roberto Vieira
Jornalista e comentarista esportivo
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