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Revista Brazilian Times # 83
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Lucas conquista ouro histórico para o Brasil

Ao cruzar a linha de chegada, caiu na neve e chorou, consciente de que havia mudado para sempre a história do esporte nacional

O dia 14 de fevereiro de 2026 ficará marcado para sempre na memória esportiva brasileira. Foi em Bormio, na Itália, durante os Jogos Olímpicos de Milão-Cortina, que Lucas Pinheiro Braathen escreveu um capítulo histórico ao conquistar a primeira medalha de ouro do Brasil em Olimpíadas de Inverno.

O jovem de 25 anos, nascido em Oslo e filho de mãe brasileira, abriu a prova do slalom gigante e não largou mais a liderança, mostrando técnica, coragem e coração em cada curva da pista Stelvio. A ordem de largada já parecia um presságio. Lucas foi o primeiro a descer, aproveitando a neve ainda intacta e registrando 1min13s92, tempo que o colocou à frente do suíço Marco Odermatt, campeão olímpico em 2022.

A vantagem era significativa, mas o brasileiro manteve a concentração, consciente de que a segunda descida exigiria ajustes diante da neve mais pesada e marcada. Com calma e precisão, voltou à pista e cravou 1min11s08, somando 2min25s00 no total, 58 centésimos à frente de Odermatt. O resultado não apenas garantiu o ouro, mas também colocou o Brasil em um seleto grupo de países campeões olímpicos no slalom gigante, ao lado de potências tradicionais como Áustria, Suíça e Noruega.

Foi a primeira medalha da América Latina nos Jogos de Inverno e apenas a terceira do Hemisfério Sul, depois de Austrália e Nova Zelândia. Até então, o melhor desempenho brasileiro havia sido o nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross em Turim 2006. Emocionado, Lucas declarou que não conseguia traduzir em palavras o que sentia.

“É inexplicável. Vim com o coração e a força brasileira para levar essa bandeira para cima do pódio. É do Brasil!”, disse à Rede Globo. Suas palavras ecoaram como inspiração para futuras gerações, reforçando que o esporte pode transcender barreiras geográficas e culturais. Outro brasileiro também esteve na prova: Giovanni Ongaro, de 22 anos, que terminou em 31º lugar em sua estreia olímpica. Embora distante do pódio, sua participação simboliza o crescimento da equipe brasileira de esqui alpino, que começa a se consolidar no cenário internacional.

Lucas, por sua vez, já havia conquistado pódios em etapas da Copa do Mundo desde que decidiu trocar a bandeira norueguesa pela brasileira em 2024, mas o objetivo maior sempre foi o palco olímpico. A descida final foi descrita por Lucas como uma “guerra”. Nevava intensamente, e a pista já estava marcada pelo trabalho dos outros atletas. Ainda assim, o brasileiro encontrou equilíbrio entre velocidade e segurança, mostrando maturidade e frieza diante da pressão.

Ao cruzar a linha de chegada, caiu na neve e chorou, consciente de que havia mudado para sempre a história do esporte nacional. A celebração ganhou um toque especial quando a organização tocou o “Tema da Vitória”, música que embalou Ayrton Senna na Fórmula 1. O hino brasileiro ecoou no alto do pódio, e a trilha sonora reforçou a conexão entre dois momentos inesquecíveis do esporte verde-amarelo. O país, que sempre brilhou no calor dos Jogos de Verão, agora também tem um herói no gelo. Lucas Pinheiro Braathen soma esse ouro a uma carreira já marcada por feitos expressivos.

Desde que voltou da aposentadoria para defender o Brasil, acumulou pódios e resultados consistentes, tornando-se referência no circuito internacional. Sua conquista em Milão-Cortina é a coroação de um trabalho que começou há anos e que agora inspira uma nova geração de atletas brasileiros nos esportes de neve.

Filho de mãe brasileira e pai norueguês, Lucas já conquistou 20 pódios em etapas da Copa do Mundo (6 ouros, 9 pratas e 5 bronzes), sendo 8 desde que decidiu voltar da aposentaria e defender o Brasil (1 ouro, 5 pratas e 2 bronzes). Ele foi ainda o primeiro a ter colocado o Brasil no topo do pódio em uma etapa de Copa de Mundo em esportes de inverno.

 

 

LUCAS HERDOU DA FAMÍLIA DA MÃE O AMOR PELO BRASIL 

   Lucas Pinheiro Braathen não chegou sozinho ao topo do pódio em Milão-Cortina. Sua vitória no slalom gigante olímpico tem raízes profundas na ligação com a mãe, Alessandra Pinheiro – que reside na Nova Zelândia –, e com os primos brasileiros que sempre o acolheram nas visitas ao país. Essa conexão afetiva com o Brasil foi reforçada pela namorada, a atriz da TV Globo Isadora Cruz, da novela “Coração Acelerado”, que acompanhou cada segundo da conquista histórica. Juntos, eles formam o elo que mantém Lucas próximo de suas origens, mesmo tendo crescido entre Noruega e Brasil. 

    O ouro conquistado no sábado, 14 de fevereiro de 2026, fez de Lucas o primeiro sul-americano a vencer uma prova nos Jogos Olímpicos de Inverno. Aos 25 anos, segundo colocado no ranking mundial de slalom e slalom gigante, ele registrou o tempo combinado de 2min25s00, superando o suíço Marco Odermatt por 0s58. Foi uma performance impecável, que coroou anos de dedicação e uma trajetória marcada por escolhas ousadas. 

    Lucas começou sua carreira representando a Noruega, país do pai, Bjorn Braathen. Lá, venceu cinco provas da Copa do Mundo e subiu ao pódio em 12 ocasiões. Mas nos Jogos Olímpicos de Pequim 2022, não conseguiu completar nenhuma das provas. A virada veio em 2024, quando decidiu trocar de nacionalidade esportiva e vestir a bandeira brasileira, em busca de um ciclo que refletisse sua identidade e suas raízes. 

    Após o divórcio dos pais, ainda criança, Lucas viveu com a mãe no Brasil antes de se mudar para a Noruega. Foi em São Paulo, brincando com vizinhos e primos, que descobriu o gosto pelo esporte. “Conheci o esporte nas ruas de São Paulo. Me apaixonei lá. Levar a dança para a neve é o que eu busco fazer”, declarou em 2024. Essa mistura de culturas moldou o atleta que hoje inspira milhões de brasileiros. 

    Na cerimônia de abertura dos Jogos de Milão-Cortina, Lucas foi porta-bandeira do Brasil, reforçando o simbolismo de sua escolha. Agora, com a medalha de ouro, ele se junta a nomes como Isadora Williams, Jaqueline Mourão e Eric Maleson, pioneiros que abriram caminho para o Brasil nos esportes de inverno. “A Noruega me ensinou a ser atleta. O Brasil me ensinou a ser eu mesmo”, resumiu Lucas. 

    Isadora Cruz, sua namorada, viveu intensamente cada momento da conquista. A atriz contou que estudou o hino nacional com Lucas na semana dos Jogos, refletindo sobre cada palavra e sobre o significado da independência. “Foi especial ver o interesse dele pela cultura, esse amor e essa paixão pelo nosso país”, disse. No pódio, ela se emocionou ao ouvir o hino ecoar nas montanhas italianas. 

    Logo após a prova, ainda no antidoping, Lucas conseguiu ligar para Isadora. “Ele estava muito feliz, muito calmo. É bonito ver essa paz, essa certeza do seu propósito”, relatou a atriz. A relação entre os dois reforça o lado humano do campeão, que não se limita às pistas de neve, mas também se expressa na cultura, na moda e na arte. 

    Lucas sempre destacou a importância da criatividade em sua preparação. “Eu provavelmente estudei criatividade por mais horas do que atletas. A diferença precisa ser encontrada fora da própria área”, explicou. Essa abordagem, herdada do pai e inspirada por ídolos como Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo, moldou sua coragem de ser autêntico e diferente. 

    O campeão olímpico lembra que cresceu jogando futebol no Brasil, e que seus primeiros modelos foram craques que mudaram o esporte com ousadia. “Eu queria ser o melhor jogador de futebol do mundo. Agora sou esquiador, mas pelo menos sou campeão”, brincou. Essa mistura de influências mostra como sua trajetória é única e profundamente marcada pela cultura brasileira. 

    Ao conquistar o ouro, Lucas não apenas escreveu seu nome na história, mas também abriu caminho para o futuro dos esportes de inverno no Brasil. “Muitas pessoas me deram essa luz que me trouxe o poder para ser o mais rápido do mundo. Espero que essa luz brilhe em outros, inspire-os a seguir sua própria luz e confiar em quem são”, concluiu. 

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