Formado em Psicologia, Vitaliy pretende se especializar em psicologia do esporte para seguir contribuindo com o meio atlético. “Quero ajudar atletas a atingirem o máximo de seu potencial.
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Nascido no Texas, brasileiro estreia pela seleção brasileira no Mundial de Ginástica
Entre os nomes convocados para representar o Brasil no Mundial de Ginástica Artística, que acontece entre os dias 19 e 25 de outubro, em Jacarta, na Indonésia, um chama atenção pela sonoridade estrangeira, mas traz um sobrenome inconfundivelmente nacional: Vitaliy Guimarães.
Filho de mãe russa e pai brasileiro, nascido e criado nos Estados Unidos, o ginasta de 24 anos defende pela primeira vez o país de suas origens em uma competição internacional.
Ao lado de Arthur Nory, Caio Souza, Diogo Soares e Tomás Florêncio, Vitaliy integra a equipe brasileira masculina que busca ampliar o protagonismo do país na modalidade.
“Estava muito ansioso e animado para competir pelo Brasil. É uma grande bênção ter essa oportunidade”, declarou o atleta à Confederação Brasileira de Ginástica (CBG).
Nascido em Dallas, Texas, Vitaliy construiu sua base esportiva no sistema universitário americano, competindo pela Universidade de Oklahoma, uma das mais tradicionais da NCAA, onde também integrou a seleção dos Estados Unidos.
Em março de 2024, decidiu trilhar um novo caminho e desembarcou no Brasil para defender o Minas Tênis Clube, equipe referência na ginástica artística nacional. Poucos meses depois, foi convocado para participar do estágio de treinamento da CBG, realizado no Rio de Janeiro, e passou a integrar o grupo principal da seleção.
“É um processo — um passo de cada vez. Quero competir no Mundial e em outras competições internacionais para mostrar que posso contribuir com a equipe brasileira. Este é o início da minha trajetória com o Brasil”, disse Vitaliy em entrevista ao UOL.
No Mundial, o ginasta registrou 13,133 pontos no cavalo com alças e 11,833 nas barras paralelas, aguardando a conclusão da fase classificatória.
Raízes na ginástica e no Brasil
A trajetória de Vitaliy é moldada pela ginástica desde o berço. Sua mãe, Tatiana Kondratova, técnica da modalidade, veio trabalhar no Brasil no início da década de 1990. Após passagem pelo Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo, mudou-se para Ribeirão Preto, onde conheceu Marcelo Guimarães, treinador e futuro pai do atleta.
O casal viveu no país por alguns anos antes de se mudar para os Estados Unidos, onde nasceu Vitaliy — que possui dupla nacionalidade. “Eu praticamente nasci dentro de um ginásio. Corria, brincava e logo comecei a treinar. Meus pais sempre me apoiaram dentro e fora da ginástica”, relembra o atleta.
Marcelo foi seu primeiro técnico, enquanto Tatiana o auxiliava nos aparelhos de solo e salto. “Éramos como um pequeno time — o Time Guimarães”, brinca Vitaliy.
Aos 10 anos, mudou-se com a família para Denver, onde treinou no renomado ginásio 5280, permanecendo até os 18 anos. Depois, seguiu carreira universitária, com cinco temporadas pela Universidade de Oklahoma, além de quatro anos na seleção de base dos Estados Unidos e dois na equipe principal.
Identidade e futuro
Apesar do sotaque americano, Vitaliy não encontra dificuldades na comunicação com os colegas brasileiros. Em casa, cresceu entre o português e o russo, idiomas dos pais, e sempre manteve laços com o Brasil.
“Sempre tivemos contato com o país. Conversei com meus pais e vimos essa oportunidade como algo especial. No início, a adaptação foi difícil, mas as coisas estão fluindo. Hoje, entendo melhor o funcionamento da ginástica brasileira”, afirmou.
O ginasta também se identifica com a cultura nacional — aprecia o arroz com feijão, acompanha o futebol e é torcedor do Palmeiras, paixão herdada do pai.
Formado em Psicologia, Vitaliy pretende se especializar em psicologia do esporte para seguir contribuindo com o meio atlético. “Quero ajudar atletas a atingirem o máximo de seu potencial. Meus pais sempre reforçaram a importância do equilíbrio mental nos treinos e competições. É essencial sair do ginásio satisfeito com o que se fez”, conclui o ginasta, que agora escreve o primeiro capítulo de sua história com a camisa do Brasil.
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