Com a tensão aumentando, cresce também a pressão política e judicial para que as operações sejam revistas e os direitos civis da população — imigrante ou não — sejam respeitados.
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Agentes de imigração usam helicópteros, gás químico e arrombam portas para perseguir imigrantes em Chicago (IL)
Helicópteros sobrevoando bairros residenciais, portas arrombadas durante a madrugada e o uso de gás químico perto de uma escola pública. Essas são algumas das ações que têm provocado indignação em Chicago (Illinois), onde líderes locais e ativistas denunciam o aumento da violência nas operações conduzidas por agentes federais de imigração.
Desde o início de uma nova ofensiva no mês passado, mais de mil imigrantes foram detidos na região metropolitana da cidade, segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS). No entanto, entre os detidos há cidadãos norte-americanos, imigrantes com status legal e até crianças, o que levou o governador de Illinois, JB Pritzker, a exigir uma investigação.
“Eles estão transformando nossos bairros em zonas de guerra”, disse Pritzker à CNN, criticando o uso de granadas de fumaça e gás lacrimogêneo por parte dos agentes federais.
Na operação mais recente, realizada na madrugada do dia 30 de setembro no bairro South Shore, no sul da cidade, 37 imigrantes foram presos. O DHS alegou que a ação visava desmantelar conexões com o grupo criminoso venezuelano Tren de Aragua, mas não apresentou provas nem esclareceu denúncias de que crianças e cidadãos americanos foram algemados e separados dos pais.
Moradores relataram que agentes chegaram em caminhonetes sem identificação e helicópteros Black Hawk, acordando famílias e amarrando-as com braçadeiras plásticas. “Eu pedi um mandado e um advogado. Eles nunca trouxeram nenhum”, contou Rodrick Johnson, de 67 anos, cidadão americano brevemente detido.
O caso repercutiu entre membros democratas do Congresso, que se reuniram no domingo perto do local da operação para pedir o fim das batidas. Organizações como a Illinois Coalition for Immigrant and Refugee Rights (ICIRR) denunciaram que o uso de gás lacrimogêneo tem se tornado mais frequente e que a cidade “vive sob clima de medo”.
No dia 03, uma granada química foi lançada próximo à Funston Elementary School, no bairro Logan Square, obrigando a escola a suspender o recreio. No mesmo dia, a vereadora Jessie Fuentes foi algemada em um hospital ao tentar questionar agentes sobre a prisão de um homem ferido durante uma perseguição.
“O ICE está agindo como um exército invasor em nossos bairros”, disse a deputada estadual Lilian Jiménez. “Essas ações vergonhosas violam direitos constitucionais e ameaçam nossa liberdade mais básica: viver sem medo e perseguição.”
As críticas se estendem também à cidade de Broadview, subúrbio onde funciona um centro de processamento de imigrantes. Autoridades locais moveram uma ação judicial contra o governo federal, pedindo a retirada de uma cerca de 2,5 metros de altura que teria sido erguida ilegalmente em frente ao prédio, bloqueando o acesso de bombeiros.
Enquanto isso, a secretária do DHS, Kristi Noem, defendeu as operações, afirmando que as ações são perigosas e que os agentes enfrentam “ameaças reais à vida”. Ela publicou nas redes sociais um vídeo editado mostrando portas sendo arrombadas e helicópteros sobrevoando a cidade — imagens que, segundo críticos, foram usadas para “glamourizar” uma operação marcada por abusos.
Com a tensão aumentando, cresce também a pressão política e judicial para que as operações sejam revistas e os direitos civis da população — imigrante ou não — sejam respeitados.




