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Revista Brazilian Times # 83
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Caso em Nevada pode redefinir cooperação entre polícia local e agentes do ICE nos Estados Unidos

Se o tribunal concordar com os argumentos da ACLU, o caso poderá limitar de maneira significativa a capacidade do ICE de operar em parceria com departamentos de polícia locais — e marcar um importante precedente jurídico na luta pelos direitos de imigrantes nos Estados Unidos.


Um processo movido pela ACLU de Nevada pode se tornar um marco nas relações entre autoridades locais e federais na execução de políticas de imigração nos Estados Unidos. A ação judicial questiona se a Polícia Metropolitana de Las Vegas (LVMPD) tem base legal para colaborar com o Departamento de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, sigla em inglês) na detenção de imigrantes, mesmo após decisões judiciais que determinam a libertação dos detidos.

O caso foi apresentado em nome de Sergio Morais-Hechavarria, que permanece preso no Centro de Detenção do Condado de Clark, apesar de uma ordem judicial estadual determinando sua transferência para uma clínica de tratamento. A justificativa para sua manutenção sob custódia seria um “ICE hold”, ou seja, um pedido do órgão federal para que ele continue detido até que agentes de imigração assumam o caso.

De acordo com a ACLU, o acordo firmado entre o LVMPD e o ICE, conhecido como Programa 287(g), concede a policiais locais autoridade para aplicar mandados civis de imigração e manter sob custódia pessoas que já deveriam ter sido liberadas pela Justiça estadual. A entidade alega que tal cooperação viola a legislação de Nevada, que segue a Dillon’s Rule, norma que impede autoridades locais de exercerem poderes não expressamente autorizados pela Assembleia Legislativa estadual.

“O ICE está utilizando a polícia local para aplicar leis de imigração sem que haja base legal no estado”, afirmou a diretora executiva da ACLU de Nevada, Athar Haseebullah, em comunicado. Segundo a organização, além de contrariar ordens judiciais, a prática sobrecarrega os cofres públicos locais, uma vez que o governo federal não reembolsa integralmente os custos dessas detenções.

O departamento de polícia e o ICE ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o caso, mas defensores de direitos civis afirmam que a decisão judicial poderá ter repercussão nacional, definindo até que ponto forças locais podem cooperar com autoridades federais de imigração.

Para especialistas, o desfecho do processo poderá influenciar diretamente políticas de “cidades-santuário” e a forma como estados e municípios equilibram a aplicação da lei com a proteção dos direitos civis de imigrantes.

Se o tribunal concordar com os argumentos da ACLU, o caso poderá limitar de maneira significativa a capacidade do ICE de operar em parceria com departamentos de polícia locais — e marcar um importante precedente jurídico na luta pelos direitos de imigrantes nos Estados Unidos.

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